28 Outubro 2009

Ruído ou música? Depende...

Tem gente que ouve música até onde não tem.

Ouve o que esse cara fez com o filme Pulp Fiction:





Nas aulas de música que eu tive quando era criança aprendi que música era diferente de ruído. Mas ninguém explicou por que. Nem eu entendi, já que adorava usar ruídos pra fazer música. Acho que vem daí minha admiração pelo Hermeto Pascoal.

Há uma teoria que diz que a diferença entre ruído e música é a periodicidade. Ou seja, se pegarmos um ruído e o repetirmos em um intervalo constante, ele vira música.

Pode experimentar ai: pega uma colher e bate numa xícara e você tem um ruído. Bate a colher na xícara com constância e você tem 2 coisas: Rítmo (música) e uma mulher gritando pra você parar que parece criança na mesa.





06 Outubro 2009

A morte da Voz da América Latina: Mercedes Sosa



Música e Resistência

Entre os anos de 1960 e 1985, muitos países latino-americanos viveram sob ditaduras militares cujo método de garantir a ordem era calar a população. Para isso, não havia limites. Na Guatemala, estima-se que 45 mil pessoas tenham desaparecido debaixo dos regimes de repressão; Na Argentina, cerca de 30 mil foram seqüestradas; Em 11 de setembro de 1973, Augusto Pinochet tomou o poder no Chile, e aproximadamente 31 mil pessoas desapareceram nos anos seguintes. Outros países também sofreram revezes em suas histórias através da tomada de poder e posterior implementação de regimes ditatoriais. Na República Dominicana, em1966, Joaquín Balaguer tomou o poder fraudando eleições e reprimindo severamente opositores políticos; No Haiti, em 1957, François “Papa Doc” Duvalier foi eleito presidente mas passou a governar numa ditadura sangrenta e baseada na tortura e no terror. Foi sucedido por seu filho, “Baby Doc”, igualmente perverso; No Uruguai, em 1973, foi o grupo guerrilheiro articulado pelos Tupamaros que serviu de base para a implantação da ditadura militar; No Paraguai, a ditadura militar do General Alfredo Stroessner, “El Rubio”, foi instaurada em 1954 e só começou a enfraquecer em 1989. Desde janeiro de 1959, Fidel Castro governa Cuba sob a marca do medo e do silêncio. No Brasil, em 1964, teve início o período sombrio da história com a Ditadura Militar, só encerrado em 1982, com a realização de eleições indiretas, cujo candidato mais forte era um civil.

A arte toda fala da realidade de um país, mas é a música a ser reproduzida na voz das pessoas nas ruas, no canto do rádio que invade a atmosfera e os ouvidos do povo, liberando gritos por justiça. Em cada um dos países citados, sangue de músicos foi derramado para que não fossem eles os profetas da liberdade que seus povos ansiavam.

Cada um dos países teve seu mártir vindo da música. Por exemplo,Victor Jará, assassinado no Chile; Daniel Viglietti, perseguido no Uruguai; Glória Estefan, que abandonou Cuba para não ser morta; Geraldo Vandré, torturado no Brasil.

Mercedes Sosa foi esta voz maior, este tributo à liberdade cantado a plenos pulmões. Quem dera cada músico olhasse para estes mártires e tornasse um bem maior para seus povos, um caminho que os levassem à dignidade e à cidadania.

Mercedes Sosa morreu no domingo, dia 04 de outubro. Desde 18 de setembro, a saúde de Mercedes deteriorou-se. Internada na UTI de um hospital em Buenos Aires, com problemas renais progressivos, complicações cardiorrespiratórias e respirando com a ajuda de aparelhos, Mercedes recebeu a extrema unção na sexta-feira, indicando que seu quadro era irreversível.

Fábio Matus, único filho de Mercedes, disse à imprensa argentina que sua mãe viveu uma vida plena e fez praticamente tudo o que quis.

Mercedes é uma das intérpretes mais conhecidas da música latino-americana e a mais famosa artista Argentina, citada ao lado de nomes como Carlos Gardel e Astor Piazzolla. Mercedes Sosa foi um "símbolo de liberdade". Ela inspirou combatentes dos regimes militares por toda a América Latina.
“A vida me escolheu para cantar”, declarou poucos meses atrás.

Mercedes Sosa foi indicada para 3 prêmios Grammy’s 2009, incluindo o de melhor álbum.
Morre alguém que fez muito mais do que arte. Mercedes guerreou por seu povo. A voz da América Latina se calou para sempre.

História


Haydée Mercedes Sosa nasceu em San Miguel de Tucumán, Argentina, em 9 de julho de 1935. O lugarejo era pobre e sua família trabalhava na lavoura. Desta vida humilde veio o apego às expressões artísticas populares. Adolescente, gostava das danças folclóricas, e até de ensiná-las, além de cantar.

Em outubro de 1950, arriscou-se em um concurso organizado pela rádio LV 12, da cidade onde vivia. Mercedes contava que só se inscreveu por causa do incentivo e insistência de um grupo de amigas. A vitória no concurso levou-a ao primeiro contrato... De 2 meses de duração. Mas o timbre grave de sua voz e seu estilo folclórico atraiu a atenção de muita gente.

Mercedes Sosa ficou conhecida por uma militância política corajosa.

Com 25 anos, em fevereiro de 1963, comprometeu sua voz e sua carreira com a música de raiz argentina, integrando-se ao movimento Nuevo Cancionero, fundado pelos artistas Manuel Orçar Matus (marido de Mercedes); Armando Tejada Gómez (autor de "Canción con todos", considerado um hino latino americano. Em 1952, Gómez sofreu banimento da profissão de locutor de rádio na Argentina por se negar a usar luto pela morte de Eva Perón); e Tito Francia. O movimento nasceu na cidade de Mendonza, e suas raízes fincavam-se na cultura afro, cubana, andina e espanhola. O movimento também propunha que a música retratasse a luta diária do povo argentino, suas alegrias, suas tristezas; seus fundadores rechaçavam o que chamavam de imperialismo norte-americano e a desigualdade social. Este mesmo movimento conquistou vozes como as de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque.

Em 1965, Mercedes passou a ser chamada de La Negra: por causa dos cabelos negros, lisos e sempre longos, sua pele escura e sua ascendência nativa. Mercedes nunca se opôs ao apelido!

Em 1967, sua voz, seu jeito de cantar e sua personalidade ganharam a Europa e os Estados Unidos, em turnês que percorreram o solo anglo saxão.
Durante alguns anos, Mercedes Sosa e o marido cantaram em universidades argentinas promovendo a cultura popular.

A personalidade e atitude de Mercedes surpreendiam o público. Seu marido lançou um selo independente para abrigar os álbuns que eles lançavam. Mas, apenas em 1965, durante o Festival Nacional de Folclore de Cosquín, Mercedes foi apresentada ao grande público”. Em abril de 1967, Mercedes gravou “Mujeres Argentinas”, trabalho que foi concretizado somente em 1969, quando a Argentina entrava no seu período de ditadura. Muitos argentinos foram presos, e algumas músicas de Mercedes Sosa sofreram censura na Rádio Nacional, emissora estatal Argentina.

O ano de 1973, foi um ano de lutas pela volta da democracia na Argentina, e um tempo de muita violência. Mercedes continuava seu trabalho militante, cantando a realidade que o país vivia.

Em 1976, Mercedes Sosa lançou um álbum em que cantava a poesia de artistas como Pablo Neruda, Víctor Jará, Alicia Maguiña ,Ignacio Villa, e outros.

Em 1977 o clima político e social na Argentina era extremamente tenso. Em 1979, a violência sacudia a sociedade argentina, e Mercedes continuava a cantar, apesar da morte de segundo marido. Havia um clima hostil entre ela e o governo argentino, que queria obrigá-la a exilar-se. Durante um show em La Plata, cidade universitária controlada pela ditadura, a polícia formou um cerco em torno da casa de espetáculo onde Mercedes se apresentava, deteve La Negra e todo o público que ali a prestigiava.

Mercedes foi liberada depois de 18 horas por causa da pressão dos veículos e organismos internacionais, mas resolveu exilar-se, embarcando para Paris com uma pequena bagagem e uma bolsa de mão. Em 1980, mudou-se para Madri.

Teoricamente, Mercedes Sosa podia entra e sair da Argentina livremente, mas não tinha autorização para cantar. Ela não poderia viver assim. Num país onde a vida humana não tinha nenhum valor, e milhares de pessoas desapareciam sob a escuridão de um regime usurpador, a voz de Mercedes seria um grito de liberdade. Mercedes sabia o que ocorria com os artistas que tinham permanecido na Argentina durante aqueles anos.

Mercedes só teve permissão para apresentar-se na Argentina em 1982, poucos meses antes de ser deflagrada a Guerra das Malvinas. Sua reestréia em Buenos Aires ocorreu no Teatro Ópera, em uma temporada muito comemorada. Mas foi só uma passagem. Mercedes só receberia autorização para voltar para casa em 1984, com o fim da ditadura. No show de sua volta, uma multidão a assistiu em Buenos Aires. O show teve a participação de Milton Nascimento, que também a incentivou a firmar carreira no Brasil.

Mercedes cantou com artistas do mundo todo, como Sting, Andrea Bocelli, Luciano Pavarotti, Nana Mouskouri, Joan Baez, Silvio Rodríguez e Pablo Milanés, e muitos outros.

Homenagens e Prêmios

Mercedes recebeu muitas homenagens ao longo da vida. Em 1989, ganhou a medalha da Ordem do Comendador das Artes e Letras do governo da França e , em 1992, foi declarada cidadã ilustre de Buenos Aires; em 2000, recebeu o Grammy Latino de melhor intérprete internacional; Está indicada para 3 Gramy’s 2009, incluindo melhor álbum.

A carreira de Mercedes pelo Brasil teve o apoio de Milton Nascimento, com quem gravou a faixa “Volvera los 17” do álbum dele Geraes – 1976. Mercedes Sosa fez parceria vocal com Beth, Carvalho (So le piedo a Dios. Ela cantando em espanhol e Beth em português!), Fagner (Años – 1891), Caetano Veloso, Chico Buarque, Daniela Mercury... A lista é longa!



texto: Chris Gialucca

28 Setembro 2009

Mistérios da música

Algumas reações das pessoas com a música são complicadas de entender.

Por exemplo: porque algumas músicas simples, e até mesmo bobas, ou sem grandes atrativos, mexe tanto com a gente. E mais complicado de entender quando isso acontece não só comigo (um individuo), mas quando a coisa se espalha como praga, e desperta em muitas pessoas um mesmo sentimento.

Será o sentimento de pertencimento? De grupo? O mesmo que ocorre numa torcida de estádio? Que empolgação é essa?

Mas o mistério mesmo está nisso: porque algumas músicas provocam isso enquanto outras não?

I Gotta Feeling (do Black Eyed Peas) faz isso. Apesar da música ser fraquinha (do ponto de vista puramente musical), ela mexe. E, claro, provoca uma avalanche de vídeos.

Começando com o garoto na loja da Apple dublando:



O próprio Black Eyes Peas no programa da Oprah:



E um vídeo muito bacana feito pela turma daUQAM (Quebec, Canada, num plano sequencia de dar dor de cabeça só em imaginar o planejamento pra fazer dar certo:



Aconteceu a mesma coisa com a Macarena. Mas essa eu vou poupar vocês e não vou colocar um vídeo.

14 Agosto 2009

40 Anos do festival de Woodstock

A primeira Rave: agosto de 1969

Quatro rapazes. Dois tinham dinheiro, dois tinham idéias. Os dois das grandes idéias queriam montar uma gravadora para oficializar a música da cidadezinha onde moravam chamada Woodstock, pertinho de Manhatan, ou realizar um festival que incluísse música, arte e estilo de vida.

Juntos, John Roberts, Michael Lang, ambos com 24 anos de idade, e Artie Kornfeld e Joel Rosenmann, com 26, realizaram a primeira rave da história: três dias de música, cores, idéias e drogas.

Eles decidiram que o evento seria realizado fora da cidade, para enfatizar o clima de “volta ao campo”. Para atrair o público jovem, foram usados os símbolos e frases consagrados pela contracultura. Uma tornou-se o lema: “Três dias de paz e música”. Os planos eram reunir 100.000 pessoas, mas Woodstock superou todas as expectativas: quase meio milhão de pessoas acompanharam os três dias de “mentes abertas”. O festival gerou um dos maiores congestionamentos de Nova York, e nenhum acidente!

Mas, o que foi o festival de Woodstock, afinal? É preciso entender um pouco do mundo em que eles viviam.

A história

Nos anos 50, acabada a 2ª Grande Guerra, a Guerra fria começou a se instalar. De um lado a União Soviética, recém fortalecida. De outro, os Estados Unidos, a nação mais próspera e suas fortes tendências colonialistas.

Dentro dos Estados Unidos, surge o macartismo, um movimento conservador que desencadeou uma campanha anti-comunista e anti-socialista e tentava disseminar o fundamentalismo norte-americano. Muitos artistas, produtores e intelectuais foram incluídos numa lista de suspeitos de serem comunistas e combater os valores “americanos autênticos” e vigiados dentro de seu próprio país. Um deles foi Charles Chaplin, perseguido pelo FBI por causa das mensagens humanistas de seus filmes. Em 1952, Chaplin deixou os Estados Unidos.

Mas sempre tem alguém descontente!


Esse tal de Elvis Rock Presley in Roll

Lá pela metade dos anos 50, da música que soava dos guetos negros saiu um garoto com uma voz lindíssima, uma dança sexy, e branco. Elvis apresentou o rock ao público branco.


Os Beatnicks

Os beatnicks foram uma geração que teve que sair de casa e freqüentava muito as rodovias, como a famosa Rota 66. Eram jovens que se conheceram na universidade, que liam Kafka e Nietzsche, Melville e Withman, autores considerados nada ortodoxos na época. Estes jovens não eram bem vistos pela sociedade, e tentavam mostrar seu desgosto com a cultura contemporânea.

O beatnick valorizava a individualidade, o livre arbítrio, a experimentação e a mudança, fazendo oposição à manutenção dos antigos valores da burguesia.

Segundo escritos beats, eles queriam o direito de serem eles mesmos; não tinham solução para os problemas do mundo, nem para os seus próprios!

Algumas das características do movimento foram a criação espontânea, seguindo um ritmo mental fluente, cheio de frases em movimento, liberdade na poesia, cheia de imagens surreais, livre de padrões, com versos de 5 linhas; na música, encontrava seus paralelos no bebop de Charlie Parker, no ato de criação contínuo e improvisos no palco; na pintura, o expressionismo abstrato de Jackson Pollock, aqueles quadros que mais parecem “borrões” sobrepostos!

O principal nome do movimento é Jack Kerouac, um escritor que acreditava que sua missão era escrever livros e pregar a bondade universal. Seu objetivo era a liberdade para o homem, num certo prenúncio do que seriam os hippies nos anos 60.

Outro expoente beatnick foi William Borroughts, um herdeiro rico, formado em medicina, mais velho e mais culto que todos os outros beats. Foi viciado em heroína por 10 anos.

Descreveu aqueles anos em um livro chamado Naked Lunch, contando de viagens e paranóias, permeadas de horrores do imaginário; mundo habitado por traficantes e lagartos; “o inferno”, segundo o autor de A Laranja Mecânica.


Nos anos 60…

Nos anos 60, deixando para trás o rock inocente e romântico dos anos 50, surgem artistas preocupados em que suas músicas passassem mensagens políticas e acordassem o grande público, enquanto o mundo entrava na era do consumo! As regras chegavam às pessoas através da tv, e a guerra fria continuava esquentando as cabeças.

Em 1961, os Beach Boys faziam sucesso tocando a “surf music” nas praias, estilo inspirado no doo woop, dos grupos musicais que cantavam de terno e estalavam os dedos, com uma afinação impecável.

Quase ao mesmo tempo, nos bares, tendo como base o folk, surgiram artistas como Bob Dylan e Joan Baez, que mudariam mais uma vez a cara do rock.

Em 1963, o trabalho de Bob Dylan já repercutia, e as letras inteligentes de sua música chamavam a atenção de público e crítica, fato inédito até então na música pop. Em maio daquele ano foi realizado o Monterey Festival, na Califórina, reunindo Bob Dylan e Joan Baez, além de outros artistas do estilo como Peter Seeger e o trio Peter, Paul & Mary. Lembram-se do macartismo? Pois é, a música folk e, principalmente, Bob Dylan seriam taxados de comunistas, o que atraiu ainda mais a atenção do público jovem, cada vez mais sedento de novidades!

Enquanto isso, na Inglaterra, os Beatles já começavam a dar seu recado.
Em 1965, na Califórnia, surge o The Doors, liderado por Jim Morrison. Naquela época, rock e drogas andavam quase sempre juntos. As drogas não mais eram apenas consumidas para eliminar o cansaço como se dizia, mas também buscar prazer e estados alterados de percepção. A música da época foi fortemente influenciada por drogas como LSD, o que acabou rendendo ao rock o título de “Música do Diabo”.


Hippies

Mas os anos 60 foram também a década do movimento hippie, uma versão em cores dos beatnicks, e sua mensagem era de paz, amor e sexo livre. De cabelos grandes, batas e drogas, o movimento hippie opunha-se aos valores consumistas e à política bélica dos Estado Unidos. Ele queriam acabar com a pobreza, o racismo, denunciar a poluição do ar, libertar-se da inveja e da cobiça.

Em 1967, de 16 a 18 de junho, na California, foi realizado o Monterey Pop Festival, considerado o primeiro grande festival de rock. Graças à cobertura dada ao festival, os hippies e seus melhores grupos de rock ganharam fama internacional. Eram esperadas cerca de 7 mil pessoas, mas o Festival acabou recebendo mais de 50 mil, a maioria sem ingresso. O slogan do festival era “Música, amor e flores”. O Festival de Monterey mostrou ao mundo duas estrelas: Janis Joplin e Jimi Hendrix, os ícones do movimento hippie, e contou ainda com The Animals, Simon and Garfunkel, Bufallo Springfield, entre outros.

Em 1968, nasce o Led Zeppelim de Jimmy Page com sua sonoridade inédita e mais agressiva do que qualquer música anterior, embora carregasse a herança do blues.

Em 1969, a morte de um fã durante um show dos Rolling Stones durante uma apresentação gratuita no festival de Altamond, na California, foi marcante.


Mesmo assim…

Naquele mesmo ano foi realizado o maior festival de música até então.
Entre 15 e 17 de agosto, numa fazenda em Woodstock, interpretado por muitos como o marco do início de uma nova era de paz e amor, com apresentações entre outros de Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jefferson Airplane e The Who, foi realizado o Woodstock Music & Arts Fair Festival. O valor do ingresso para o fim de semana era 18 dólares, mas a maior parte do público invadiu o local derrubando as cercas, sem pagar nada. Na faixa!
Foi ali onde Crosby, Still, Nash and Young tocaram para mais de 400 mil pessoas; e onde aproximadamente 320.000 pessoas viram Jimi Hendrix tocar.

O festival teve duração de 3 dias. Mas no quarto dia, diante de pessoas que insistiam em não ir embora, drogados demais para voltar para casa, debaixo de um sol intenso, Jimi Hendrix subiu ao palco, e fez sua famosa interpretação do hino nacional dos Estado Unidos, “The Star Spangled Banner”, arrancando de sua guitarra explosões de bombas, granadas, rajadas de metralhadoras e roncos de helicópteros, uma alusão à guerra do Vietnã.

Era 18 de agosto. Foi o ápice.

Por três dias, o local tornou-se uma mini-nação hippie, onde as mentes estavam “abertas”, drogas eram totalmente permitidas, e o amor era livre.

O Festival criou um dos piores engarrafamentos da história norte-americana, e foi um marco na história da música mundial.

O primeiro dia de Woodstock reuniu diversos astros da folk music numa atmosfera acústica; várias canções refletiam a agitação da sociedade norte-americana dos anos 60. Country Joe McDonald cantou I Feel I´m Fixing to Die, uma afiada sátira à guerra do Vietnã; Joan Baez criticou os conservadores em Drug Store Truck Driving Man,e ironicamente, dedicou-a ao então governador da Califórnia Ronald Regan.

Quem abriu o festival foi Richie Havens, que tocou duas músicas.

As imagens gravadas do público mostram que o slogan não era só uma frase, e que o clima de “paz e amor” realmente se instalou por lá.

Já no dia 18, o indiano e pai da cantora Norah Jones, Ravi Shankar, tocou uma música instrumental no ritmo de seu país.

Arlo Guthrie cantou Bob Dylan na música Walking Down The Line.


Alguns números

Três pessoas morreram (uma por overdose de heroína, uma por ruptura de apêndice e outra atropelada por um trator);

Quarto abortos foram comunicados;

Duas pessoas nasceram;

Dezoito médicos e trinta e seis enfermeiros fizeram 6.000 atendimentos; no dia 16 de agosto, mais 50 médicos foram chamados;

Aproximadamente 100 pessoas foram presas por envolvimento com drogas;

Quinhentos mil sanduiches foram consumidos no primeiro dia de festival;
Seiscentos banheiros químicos foram instalados no local;

Houve prisões por envolvimento com drogas, mas nenhum incidente violento, nem nos arredores da fazenda onde era realizado o evento, apesar da multidão acampada ali;

Quase 500.000 jovens descobriram que as palavras compartilhar, ajudar, consideração e respeito são muito poderosas;

Aqueles jovens saíram de Woodstock com uma visão totalmente nova da vida: “saíram de lá sentindo-se ungidos de santidade, como seres privilegiados de outro planeta”, como alguém descreveu.

O evento foi documentado em um filme de mais de três horas de duração, dirigido por Michael Wadleigh


Quem tocou lá

Primeiro dia:
Richie Havens
Sweetwater
Bert Sommer
Tim Hardin
Ravi Shankar
Melanie
Arlo Guthrie
Joan Baez

Segundo Dia
Quill
Country Joe McDonald
John B. Sebastian
Keef Hartley Band
Santana
Incredible String Band
Canned Heat
Grateful Dead
Creedence Clearwater Revival
Janis Joplin
Sly & The Family Stone
The Who
Jefferson Airplane

Terceiro Dia
Joe Cocker
Country Joe & The Fish
Leslie West/Mountain
Ten Years After
The Band
Johnny Winter
Blood Sweat And Tears
Crosby, Stills, Nash & Young

Quarto Dia
Paul Butterfield Blues Band
Sha-Na-Na
Jimi Hendrix



Moral da estória!

Uma nova moral, nova ética, novos valores foram plantados na mente das pessoas. Esta semente ainda existe dentro de quem se permite sonhar e acreditar na realização de seu sonho. Aliás, um sonho que ainda não acabou…

Quanto ao rock, grandes músicos o elevaram à categoria de arte, fazendo desaparecer para sempre a simplicidade característica de seus primeiros anos.

Mas nem tudo terminou em flores…

Jimmy Morrison acabou morrendo de overdose, aos 27 anos.
Jimi Hendrix morreu sufocado pelo próprio vômito, também vítima de overdose, também aos 27 anos. Janes Joplin teve o mesmo fim. Ela também tinha 27 anos.

Por Chris Domene - Jornalista

31 Julho 2009

O poder da Escala Pentatônica

5 notas. Só 5 notinhas. Isso é a escala pentatônica.

Se o nome não é familiar, com toda certeza você já ouviu ela milhares de vezes.
É a escala mais intuitiva. Usada em muitas formas de música primitiva.

Os índios usam flautas com a escala pentatônica. Os chineses usam a escala pentatonica. O Blues usa a pentatônica. Música escocesa (gaita de foles), música gospel (Amazin Grace é composta usando somente as notas da escala pentatônica), as orquestras de gamelan na Indonésia usam a pentatônica.

Claude Debussy usou, os cantos gregorianos usam, os gregos antigos, Keith Richard dos Rolling Stones.

A sua mãe quando limpa o piano e passa o pano de pó nas teclas pretas toca a escala pentatônica.

Em qualquer parte do mundo essa escala é muito difundida. De alguma forma, ela parece estar impregnada na nossa mente. Por que? Como?

Os neurociêntistas não explicam, mas o Bobby McFerrin demonstra com uma clareza que só vendo.
Então veja:

10 Julho 2009

Jingle ao Contrário

Um jingle normalmente é feito para enaltecer um produto, ou provocar uma maior simpatia com determinada marca. E se bem feito, é muito eficaz.

Mas e um jingle ao contrário? Feito para falar mal de uma empresa?

Foi o que Dave Carrol fez.

A história

Dave é um cantor de country e estava viajando com sua banda para tocar em Nebraska. O violão de Dave foi tratado de forma não muito delicada pelos carregadores do avião, e o resultado foi um violão de U$ 3500 quebrado.

Cansado de ser enrolado por 9 meses pela United Airlines para ter o reembolso de sua perda, resolver fazer o que melhor sabe fazer: compôs uma canção falando mal da empresa e colocou no Youtube.

Resultado: em 4 dias o vídeo foi visto por mais de 1.4 milhão de pessoas. Acho que o prejuízo de imagem da United foi bem maior que os U$ 3500 que ela devia ao Dave Carrol.







Detalhes da história:

www.davecarrollmusic.com