31 dezembro 2008

Da Capo



Da Capo

"Da capo é um termo musical da língua italiana que significa do início, habitualmente abreviado: D.C.."

E lá vamos nós para o Da Capo do ano. Só que dessa vez, que todos toquemos com mais emoção, sentimento e amizade.

Saúde, paz e sucesso para todos em 2009!!

Ainda usando poucos recursos

Impressionante estes dois caras que com poucos recursos fazem a maior festa:




Desejo a todos um Feliz e Próspero 2009,cheio de Saúde e muita Paz!!!!

29 dezembro 2008

Playing For Change: Peace Through Music

Música extraída do documentário premiado "Playing For Change: Peace Through Music". Um cover do clássico "Stand By Me" de Ben E. King interpretado por músicos de toda parte do mundo, acrescentando suas partes cada qual no seu país, mais precisamente, nas ruas do seu país.

O documentário promove a Fundação "Playing for Change", que tem como propósito construir escolas de música e arte pelo mundo.
Do site da The Playing For Change Foundantion:
A The Playing For Change Foundantion (PFCF) é dedicada a conectar o mundo através da música proporcionando recursos (incluindo, mas não limitado, a instalações, materiais e programas educacionais) para músicos e suas comunidades ao redor do mundo. PFCF apóia projetos inspirados pela comunidade apresentados na série de documentários Playing For Changes.



Aqui uma entrevista com Mark Johnson, produtor do documentário, no canal PBS.

http://www.pbs.org

24 dezembro 2008

Jingle Bells diferente

É sempre um desafio criar algo diferente envolvendo o famoso Jingle Bells. Parece que tudo já foi feito com essa música.

Aqui um filme/cartão de natal que a AKQA, agencia digital premiadíssima de São Franscisco, criou. Isso é o que podemos chamar de desconstrução de uma melodia. Genial!

16 dezembro 2008

O Sound Designer de Wall-E (Ben Burtt)

Ben Burtt é o cara.
Ganhador do Oscar pelos primeiros filmes da série Star Wars. Considerado pai do moderno jeito de se fazer Sound Design.

Pra quem não é familiarizado com o termo, "sound design" consiste em criar todos os sons que não existem na de verdade. Os sons de naves espaciais, armas lasers, um piano caindo do 20º andar, um navio afundando.

Voltando ao Ben.. a filmografia dele é impressionante: todos os episódios da série Star Wars, Indiana Jones, E.T. (ganhou o Oscar com todos esses) entre outros. Além desses 4 Oscars, ainda foi indicado 5 vezes com outros filmes.

Trabalhou 28 anos na Lucasfilm como sound designer e em 2005 saiu de lá e foi trabalhar para a Pixar. O projeto: Wall-E.

Sound Design para um filme de ficção científica é uma trabalheira danada, pois a maioria dos sons que ouvimos tem que ser criado, já que as naves, equipamentos, portas, nada disso existe na vida real.

Sound Design para uma animação é uma trabalheira danada, já que todos os sons que ouvimos têm que ser criados. Nenhum som foi gravado durante a filmagem, já que não existe filmagem na animação.

Sound Design para um filme onde praticamente não existem diálogos... bom, vocês já entenderam onde quero chegar. Wall-E tem todos esses elementos para torná-lo um trabalho insano e que se tornou genial na mão de um mestre.

Na entrevista que Ben Burtt deu ao Spout ele diz: "Existem mais de 2600 sons criados para Wall-E, o que é muito para qualquer filme. Um filme de Star Wars, que é enorme, normalmente tem cerca de 1.000 novos sons. Um de Indiana Jones, talvez 700 ou 800. Então isso é gigantesco em parte porque precisava de muitos detalhes no som. Obviamente nada é gravado enquanto você está fazendo o filme. Tudo tem que ser adicionado depois."

No vídeo abaixo tem uma matéria muito bacana sobre como ele fez o sound design de Wall-E. Tem 20 minutos e a qualidade do som merece um fone de ouvido.

Update em 19/12
O vídeo que havia postado não está mais online. Tentei encontra-lo em outros luares e não encontrei.... mas encontrei esses abaixo. Não mais falando diretamente sobre a criação dos sons de Wall-E, mas uma palestra com Ben Burtt mostrando como foram feitos vários sons que todos nós já ouvimos nos filmes em que colaborou.


Update em 31/12
Encontrei novamente o vídeo :-)




Parte 1



Parte 2



Parte 3


Parte 4


Esses vídeos fazem parte originalmente desse artigo no Collider

15 dezembro 2008

Fool on the Hill - Chick Corea e Hiromi Uehara




Sem palavras!!
É o tipo de coisa que quando vejo fico na dúvida se volto a estudar piano feito um maluco ou se é melhor cortas as mãos de uma vez :-)
Técnica estupenda junto com bom gosto extremo.
É, eu sabia que não adiantava tentar usar adjetivos. Só ouvindo mesmo. Tá além dos adjetivos.

13 dezembro 2008

Roqueiros protestam contra o uso de músicas para torturar prisioneiros


Reproduzido do site G1



Saindo de uma caixa de som em sua minúscula cela no Iraque, o rock virulento do Nine Inch Nails atinge o prisioneiro Nº 200.343 como um cacetete sônico. “Tinto como o sangue em seus dentes”, rosna em alto volume o vocalista Trent Reznor. A tortura sonora chega a durar dias, semanas e até meses no centro de detenção militar no Iraque, com AC/DC, Queen, Pantera. Donald Vance, de Chicago, conta ter se tornado um suicida.

A tática ficou comum durante a guerra dos Estados Unidos no Iraque, Afeganistão e Guantánamo Bay. O general Ricardo Sanchez, comandante do exército no Iraque, autorizou a prática em 2003, como uma forma de “criar medo, desorientar e prolongar o choque.”

Agora, os detentos não são os únicos a reclamar – os músicos estão se unindo para pedir ao exército americano que pare de usar suas músicas como arma. Uma campanha lançada nesta semana inclui grupos como Massive Attack e roqueiros como Tom Morello, do Rage Against the Machine e Audioslave.

A ação consiste em promover minutos de silêncio durante shows e festivais, segundo explica a advogada Chloe Davies, que representa diversos detentos de Guantánamo Bay e é uma das organizadoras da iniciativa. “Sugiro que prendam George W. Bush numa cela e o torturem com Rage Against the Machine”, disse Morello em um de seus shows.

Vance, que foi preso por relatar a venda ilegal de armas, estava acostumado ao rock ‘n’ roll. Mas, para muitos detentos que cresceram no Afeganistão – onde a música é proibida pelos talibãs – os violentos interrogatórios do exército americano marcaram sua primeira experiência com o gênero. Muitos não resistiram. Binyam Mohammed, hoje prisioneiro em Guantánamo Bay, diz que alguns companheiros de cela acabavam gritando e batendo as cabeças contra as paredes.

“Tocaram música alta por 20 dias”, conta Vance, citando Eminem e Dr. Dre. “Também tive de ouvir hard rock sem parar. Muitos perderam a cabeça. Perdi as contas de quantas vezes ouvi ‘We will rock you’ do Queen. Você perde a capacidade de formular os próprios pensamentos num ambiente como esse.”

O porta-voz do centro de detenção de Guntánamo não forneceu detalhes de quando e como a música foi usada na prisão. Agentes do FBI que trabalham no local citaram diversos casos em que os detentos foram torturados com música, dizendo terem sido informados de que aquela era uma prática comum. Algumas sessões alternavam 16 horas de música e luzes com quatro horas de silêncio e escuridão.

Até canções para crianças já foram utilizadas nessas práticas. Christopher Cerf, compositor da trilha de “Vila Sésamo”, diz ter ficado horrorizado quando descobriu que as músicas do programa infantil foram usadas em interrogatórios. “Eu não ia querer que minha música fosse parte disso.”

Outros músicos, por sua vez, dizem ter ficado orgulhosos de terem suas canções usadas com esta finalidade. Stevie Benton, baixista do grupo Drowning Pool, se apresentou no Iraque e gravou uma das canções preferidas dos interrogatórios, intitulada “Bodies”.

“As pessoas presumem que deveriam se sentir ofendidas por alguém no exército achar a sua música perturbadora o suficiente para acabar com um sujeito psicologicamente”, disse ele à revista “Spin”. “Fico honrado em pensar que talvez uma canção minha possa suprimir ataques como o de 11 de setembro.”

Em entrevista por telefone à AP, Vance disse que a tortura pode transformar homens inocentes em loucos. “Eu não tinha lençol ou cobertor. Se tivesse, teria tentado suicídio.” Depois de 97 dias de tortura sonora, Vance foi libertado. “Hoje, mantenho minha casa em silêncio total”, diz.

Antes do Oscar, o Globo de Ouro

Saiu a lista das indicações ao Globo de Ouro. A imprensa sempre fala que é uma prévia do Oscar. Uma forma de dar importancia menor ao prêmio? Sem dúvida.. mas de fato é um prêmio menor.

O Globo de Ouro é um prêmio instituido pela HFPA - Hallywood Foreign Press, ou seja, um prêmio da crítica. E o Oscar é um prêmio dado pelas pessoas que trabalham no ramo. Os indicados na categoria roteiro são julgados pelos seus pares. Os indicados como melhor ator são julgados pelos atores, os compositores julgam quem deve levar o prêmio pela melhor trilha.

Então o peso do Oscar é realmente enorme. Mostra quem a categoria aclama pelo seu trabalho.

Mas o assunto aqui era a indicação ao Globo de Ouro. Na categoria Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção.

Best Original Score - Motion Picture

The Curious Case Of Benjamin Button
Composed by Alexandre Desplat

Changeling
Composed by Clint Eastwood

Defiance
Composed by James Newton Howard

Slumdog Millionaire
Composed by A. R. Rahman

Frost/Nixon
Composed by Hans Zimmer


Best Original Song - Motion Picture

"Down To Earth" – Wall-E
Music By: Peter Gabriel and Thomas Newman
Lyrics By: Peter Gabriel

"Gran Torino" – Gran Torino
Music By: Jamie Cullum, Clint Eastwood, Kyle Eastwood and Michael Stevens
Lyrics By: Jamie Cullum

"I Thought I Lost You" – Bolt
Music & Lyrics By: Miley Cyrus and Jeffrey Steele

"Once In A Lifetime" – Cadillac Records
Music & Lyrics By: Beyoncé Knowles, Amanda Ghost, Scott McFarmon, Ian Dench, James Dring and Jody Street

"The Wrestler" – The Wrestler
Music & Lyrics By: Bruce Springsteen


Será que essas indicações realmente serão prévia do Oscar? Depois a gente faz a comparação.

11 dezembro 2008

Participando da História

O século 20 foi um período muito importante para história da humanidade, onde novas descobertas foram feitas e novas tecnologias foram criadas, trazendo à população, maravilhosos aparelhos para uso doméstico ou profissional. Seja a criação do motor de combustão, o desenvolvimento do sistema de gravações de áudio, a telefonia, a invenção do avião, a primeira ida do homem à Lua, e até nos dias de hoje a construção do LHC (o grande gerador de partículas), em tudo o ser humano vem desfrutando de uma vida mais confortável, tornando o trabalho e o lazer mais prático, rápido e divertido.

Na área musical, uma das coisas que muito revolucionou o modo de fazer o trabalho, foi a invenção do Sintetizador, aparelho este que sofreu várias modificações no decorrer de seu desenvolvimento, passando pelo uso de válvulas, transistores, chips, até chegar aos modelos virtuais os quais encontramos hoje na forma de softwares.
Da década de 60 pra cá, o uso de Sintetizadores pelos grupos musicais sejam eles de rock, jazz, discoteca, mpb ou da chamada música pop, marcou muito as gerações, e nós que vivemos alguns destes períodos somos testemunhas vivas disso tudo, vendo a cada dia surgir novas tendências, novos grupos, determinando todo um novo jeito de ser, onde cada Tribo tem muitas opções de escolha, principalmente por causa de outros estilos musicais derivados dos já existentes. É uma combinação interessante onde baterias, contrabaixos, guitarras, violões, sintetizadores e etc., se unem a orquestras, corais e tudo mais que se possa imaginar.

Na Publicidade não é diferente e todas estas tendências foram acompanhadas de perto, em comerciais de rádio, tv ou cinema. Hoje em dia quase todas as peças publicitárias, se não a maioria, tem sonoridades feitas com sintetizadores, e seja para aplicações musicais ou efeitos sonoros, o uso disto é imprescindível a qualquer profissional que queira interagir de maneira satisfatória no mercado de trabalho.
Orquestras são substituídas por samplers, baterias eletrônicas tomam o lugar das acústicas, violões deixam seu espaço para os pianos elétricos, etc. Também na técnica de Foley muita coisa foi facilitada pelo fato de sons poderem ser armazenados e sintetizados para fácil manipulação.
A trilha sonora de um modo geral acompanha tendências e se uma década é marcada por determinados estilos musicais, isto reflete diretamente no trabalho dos profissionais desta área.
Nos últimos 10 anos, porém, os grupos musicais têm configurado a formação de uma maneira mais acústica, passando a definir também uma sonoridade mais enxuta e simplificada. Algum instrumento musical que antes tinha sido colocado em posição de coadjuvante tem agora seu retorno com força total no papel principal, é o caso, por exemplo, do violão, o dobro, o baixolão, o acordeom, o cavaquinho, a viola caipira, a bateria e etc.
Sendo assim, é comum observarmos peças publicitárias feitas, por exemplo, com dois violões, um baixolão e a bateria ou em certos casos apenas um violão e se o sintetizador muitas vezes não ocupa mais a parte musical, passa então a funcionar como auxiliar, gerando efeitos sonoros à cena.

De uma forma geral, é importante observarmos e usufruirmos de todas estas transformações e se também podemos contribuir no desenvolvimento da história, então que assim seja e façamos nossa parte com o maior prazer.

Batman - o retorno... ao Oscar




Do Variety
Hans Zimmer e James Newton Howard estão novamente na disputa pelo Oscar de melhor trilha (ou pelo menos na disputa pela indicação ao Oscar)

O Comite Executivo do departamento de Música da Academia revogou sua decisão de 10 de novembro onde declarava que a trilha de Batman - The Dark Knight era inelegível para a premiação de 2008.

A trilha havia sido desqualificada em razão de ter listado 5 nomes como compositores.

Após revisar as informações submetidas pelas partes, o comite concluiu que Zimmer e Howard eram os 2 responsaveis pela autoria da trilha.

Nem a lista de elegíveis, nem as cédulas de votação haviam sido distribuídas, portanto não há nenhuma confusão no processo de votação.

10 dezembro 2008

09 dezembro 2008

Natal... mas, sem ser natal.

Acabaram de colocar no ar um cartão de natal animado da Porto Seguro para o qual eu fiz a trilha sonora. Sempre acho esse tipo de cartão animado meio piegas, mas, modéstia as favas, a trilha ficou bem legal :-)

Tentei colocar a animação num player direto aqui, mas ela roda sem que o usuário dê o comando de "play". Como eu odeio sites que fazem isso, achei melhor colocar o link para a animação.


O link é esse aqui.


Detalhe curioso: a trilha não tem motivo explicitamente natalino (sinos e todos aqueles chavões musicais) porque o cliente tem origem judaica. Então é pra ser cartão de natal, mas sem ser... entendeu? :-)

Animação dos amigos da Mono 3D. Talentosos como sempre.

06 dezembro 2008

Guitarrista Joe Satriani acusa Coldplay de plágio

Da Reuters
(Por Dean Goodman)

LOS ANGELES (Reuters) - O guitarrista Joe Satriani abriu processo contra a banda Coldplay, acusando os britânicos indicados ao Grammy de plagiar uma de suas músicas.

O processo, apresentado na quinta-feira a um tribunal federal de Los Angeles, alega que a música "Viva La Vida" tem "trechos originais substanciais" de "If I Could Fly", canção instrumental lançada por ele em 2004.

O guitarrista, de 52 anos, quer que o julgamento tenha um júri, além de ser compensado por danos e receber "todo e qualquer lucro" obtido com a música que supostamente foi copiada.

O Coldplay, cujo estilo é frequentemente comparado ao U2, foi indicado a seis Grammys na quarta-feira, perdendo em número de indicações somente para o rapper Lil Wayne.

A música "Viva La Vida" está indicada nas categorias "gravação principal" e "canção do ano".

O disco mais recente do Coldplay, "Viva La Vida and Death and All his Friends", atribui a composição aos quatro membros do grupo: o cantor Chris Martin, o baixista Guy Berryman, o guitarrista Johnny Buckland e o baterista Will Champion. O título foi inspirado numa pintura da artista mexicana Frida Kahlo.

A faixa de Satriani é do disco "Is There Love in Space?". O advogado de Satriani não fez mais comentários sobre o caso. O Coldplay também não afirmou nada.
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Ah, interessante notícia, mas como eu vou saber do que estão falando se não conheço nenhuma das músicas? Como eu posso ter uma opinião a respeito? Dá pra comparar as duas, de preferência lado a lado. Ou melhor, uma junto com a outra ao mesmo tempo?

Seu problemas acabaram:

05 dezembro 2008

Twyla Tharp - criatividade e motivação

Twyla Tharp, coreografa americana premiadíssima (um Tony Award, dois Emmy Awards, dezenove títulos de Doutor Honoris Causa), mais de 135 coreografias criadas, coreografou 5 filmes de Hollywood, dirigiu e coreografou 3 espetáculos da Broadway, 2 livros escritos... enfim, vale a pena ouvir o que ela tem a dizer sobre criatividade:

04 dezembro 2008

Da Alma

"Eu sou leitora de minhas próprias obras, porque, rigorosamente falando, não sou autora delas. Se é bom, é porque é belo, e a beleza não é obra minha. Ela vem de um lugar mais alto. Da parte da alma."

Adélia Prado - Revista da Cultura (edição 16 - nov/2008)


Quando li essa frase algo encaixou dentro de mim.
Finalmente o sentimento que eu tenho e não conseguia exprimir ganhou a forma de palavras. Claro que só um artista das palavras para fazer isso.

Esse é o sentimento que tenho quando ouço alguma trilha minha de tempos atras, que eu já me esqueci dela. Quase um susto. Um certo ar de perplexidade de ouvir algo belo, e ficar pensando: quem fez isso? Gostaria de ter sido eu.
E ai a ficha cai: "espera ai... eu conheço isso!"

Eu tenho uma "falha" como músico. Minha memória musical é muito curta. Então eu costumo esquecer muito facilmente do que já fiz. Esqueço com rapidez impressionante. É comum ouvir algo que compus a 2 ou 3 meses, e se me pegar de surpresa sem saber de onde está vindo aquela música, eu acabar ouvindo como receptor e não como emissor. E a sensação, por vezes, é essa que a Adélia Prado descreveu.

Se consigo alcançar um resultado belo, parece que veio de algum outro lugar. Da alma!

Essa é uma delas: Imaginação Infantil (trilha feita para campanha politica, para ser usada na abertura de um programa sobre Educação Infantil)

03 dezembro 2008

A Importância da Agência no processo de Criação

Durante longos 11 anos venho trabalhando em uma Produtora de Áudio e Vídeo, que também é uma Agência Publicitária, atuante no mercado há mais de 30 anos, isto na região Centro-Oeste do país: Stylus Propaganda e Consultoria.

http://www.styluspropaganda.com.br


Tenho convivido com os mais diversos profissionais, que com a própria experiência contribuem no processo de desenvolvimento da história da Publicidade Brasileira.Sempre que aparece alguma pessoa nova na área, procuro observá-la e acabo me entrosando, de forma que nossos trabalhos possam se complementar, em beneficio de um resultado satisfatório.
Pois é, me lembro que este pensamento nem sempre foi assim e na verdade, veio sendo moldado com o passar do tempo.
No primeiro ano em que entrei nesta empresa, eu com meus 28 anos ainda tinha muito que aprender (bem mais que hoje) e não me esqueço de um episódio muito interessante, afinal foi muito importante nesta história toda:

Estava numa correria danada pra entregar um comercial e o vídeo já estava previamente editado; alguém da agência havia me passado um briefing, porém eu estava sem uma inspiração adequada praquela peça. Experimenta música, joga fora música, começa outra e nada. Tudo que eu fazia parecia não combinar com a coisa e comecei a entrar em desespero, afinal, era pra agência de publicidade e como bem sabemos tudo precisa ser “pra ontem”.
Nisto, um rapaz que na época trabalhava na área de coordenação da agência era um daqueles "fominhas" em música e sempre que podia, estava lá “sapeando” no estúdio de áudio (aliás, hoje é um grande amigo meu). Foi quando ele assim meio sem jeito disse pra mim:_ ”Olemir porque você não faz uma música assim ó?”... Então cantarolou uma melodia que bem me lembro, era algo bem simples, com um ritmo em 6/8.
Pôxa, foi tiro e queda, fiz a trilha do jeito que ele havia me sugerido e acabou ficando bacana; comercial aprovado, eu com uma gostosa sensação de alívio e o sujeito muito feliz pelo fato de ter me ajudado no estúdio de áudio.


Durante um bom tempo fiquei pensando sobre aquilo: Uma situação que normalmente, por causa da tensão típica do momento, eu não aceitaria qualquer sugestão, afinal estava muito concentrado e qualquer palavra alheia poderia estragar uma idéia criativa. E foi justamente naquela quebra de concentração, juntamente com o talento do jovem ajudante que acabei gerando a música apropriada ao comercial.
Nunca mais deixei de ouvir quem quer que seja ao sugerir “porque você não faz assim ó?” e fico pensando que na verdade, este tipo de “assessoria” deveria ser é paga, e em dinheiro, porém muitas vezes as pessoas dão uma opinião de bom coração, simplesmente por querer participar, dar um palpite, enfim, ajudar na resolução do problema.
Sempre que me chega um comercial novo, procuro ouvir quem criou a idéia, se têm algo mais pra me passar em relação à trilha sonora e também ouço outras pessoas da agência ou da produtora, mesmo que elas não tenham nada a ver com o ramo musical.

Grande abraço a todos.

02 dezembro 2008

Movie music mavens mull the state of a changing biz

Movie music mavens mull the state of a changing biz
Composers and music execs discuss tech tricks, marketing and originality in film music

A conversa é muito boa, e com alguns dos gênios das trilhs sonoras da atualidade.
Apesar do artigo da Variety ser de 2006, acho que vale reproduzi-lo aqui:



On Nov. 6, a group of top composers and music execs gathered at the Variety offices to talk about the state of contemporary film music. Composers Hans Zimmer ("The Da Vinci Code," "Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest") and John Powell ("Happy Feet," "United 93") were joined by Fox Music prexy Robert Kraft and Sony Pictures Worldwide Music president Lia Vollack. Composer Thomas Newman ("The Good German," "Little Children"), unable to make the lunchtime meeting, was interviewed on the same topics later in the day by moderator Jon Burlingame.


Variety: Let's start by talking about the role of technology in the job of a film composer. Has it changed how you do business?

Newman: It gives collaborative immediacy. There are ways in which you can put music up against image and have an immediate response to it -- so a lot of the poetry of being a composer is gone because here you are "presenting." But that's also a good thing because in fairness to directors, who want to be able to collaborate and tell stories well with music, oftentimes that kind of collaboration in a small studio environment is valid in terms of good dramatic musical choices later on.

Zimmer: Our ambitions are still the same. Let's just write a decent tune and somehow get it in there. The world is our oyster with iChat. It doesn't cost anything, and suddenly I've got a drummer in Senegal in my room, a guy I always wanted to work with. As a musician, it's fantastic, and it's great for filmmakers.

Kraft: The job hasn't changed, but the way it's done has absolutely evolved. I had a number of bad experiences with composers on different continents -- but recently we've had spotting sessions with a composer on a big screen in one room, and a director sitting at the table, and everybody's happy. The technology has evolved to a place where it feels like we're together.

Variety: Some film songs, and even film scores, are no longer available on CD but are available as downloads. Does this mark a sea change in the marketing of movie music?

Newman: This happened to me on "Little Children." We were told it was going to be a digital release, and the reality of it all was startling. The way in which we listen to music, the delivery of music is so profoundly different. As someone who grew up with LPs and CDs, I'm used to the physical aspects of having a jewel case, taking out the artwork and perusing it as I'm listening.

Vollack: Consumers don't want to consume music in a way that they've been told they have to. They want to be able to get this song, to hear this from their friends, to see it on a MySpace page, to get an email about a clip on YouTube. It's mostly about giving consumers that extra piece they want to have, but at the same time being able to give it to people in a satisfying way.

Beyond what we do in servicing the film, which is the most important thing, the bottom line is, none of the commerce of getting the music out is substantial.

Kraft: "The Devil Wears Prada" did $288 million worldwide for Fox studios. It was No. 1 in every market. A soundtrack that has Madonna, U2, Alanis Morissette, Jamiroquai -- the kind of movie for which, five years ago, all of us would be celebrating platinum records. With all due respect to my great friends at the label that put it out, we might be at 30,000 units. That is a stunning sea change.

If you see "The Devil Wears Prada" and you hear the U2 song over that beautiful scene where Meryl Streep arrives in Paris, you think, "I love this song, I'm going to go cherrypick that song off the iTunes site, or maybe it's already on the U2 album I have. I don't know if I need Fox to compile 14 songs for me on a separate, stand-alone album."

Variety: Is there less originality in movie music than, say, 20 or 30 years ago?

Zimmer: I think there is more originality. There's just so much of it: the diversity of voices, and they're strong voices and styles.

Kraft: There is an international film community now where I am hearing things that are not coming out of Hollywood -- other voices that ordinarily might be hard for us to hear.

Powell: (At a recent film music concert) Gustavo Santaolalla came on and played "Brokeback Mountain." It struck me what an amazing piece it was, an amazing score. It resonated through me, and more significantly, he just played it on a guitar. Not only did it evoke the movie, it evoked everything that's great about good music. Gustavo comes from a record background.

Newman: I don't go to a lot of movies and say, "Wow, I've never heard something like that before." I think what I'm aware of more than anything, with such a high degree of collaboration from film people to musicians, is that a lot of the essential musical choices are made almost before a composer is hired. You can argue that, yes, it's temp music, but it still is an indication from editorial and filmic people that tell you the direction you need to be going in. So oftentimes a lot of those dramatic issues have been solved prior to your involvement, and your job is to satisfy those dramatic requirements and hopefully not have to cop the temp.

Variety: Why are so many scores now thrown out at the last minute?

Vollack: Film scores go south more often now than they used to, but not because the composers are any less talented, or because the directors are any less clear about what they're saying. I think part of it is, oddly enough, temp scores are so good now. On a film where a composer doesn't start doing the mockups early, some directors get really accustomed to being able to cull from all of the best pieces ever written and put them all in their movie. They temp the whole thing with everything that they love.

Kraft: Lia's correct. The pressure in a preview situation with the temp music -- and the picture working in that situation -- and then suddenly somebody's job is to replace that with something original? It's of course going to be different.

Newman: It's the cheapest way to effect change in a post-production environment. Sometimes it's sacrificial; sometimes composers are thrown off movies not because the scores are bad, but because it's the easiest thing to unload and fairly cost-efficient. I think temps are terrible things mostly because if you listen to anything, you immediately become biased to it. You can see a movie with no music in it and you can have a number of types of creative reactions, but the minute they play a temp you go, "Oh, it's that." You can say, "No, no, no, it's the temp, I'm not going to pay attention," but still you're tainted now. There's a pill in your drink.

Vollack: I don't think you always have to throw out a score entirely. I think there's a lot you can do to triage the score, fix the score, license a piece of music here, get somebody to fix three more spots if the composer and director are at an impasse. It can be done really well; you can achieve good things.

Variety: What does that say about how respected composers are as creative collaborators in the filmmaking process?

Kraft: Alberto Iglesias (at a "Volver" screening) talked about the way that (director Pedro) Almodovar discussed the light in a particular scene and he wanted the music to be like the light in a Velasquez painting.

Powell: That's one of the most useful things somebody could say to you. (Instead of) "Listen to this piece I've temped in here, can you do something like that?" If somebody says, "Look at the light," and treat you as an artist, they're going to get much better results. I think what's great is to always have at the back of your mind: "OK, I can make a piece that sounds very similar to that temp. But I've got at least three ideas on this, and I'm going to give it a really good go, and if it doesn't work, I know how we can fix it."

Zimmer: When I play a cue to a director, I might have worked on it for weeks, yet the director doesn't like it. First of all, they are not saying, "You're an idiot for having written this thing." But the thing is, it just doesn't communicate yet. I'm happy to go back and have another bash at it, because this isn't some sort of mathematical formula. These are very subtle shadings, and usually words don't work. We're forever trying to progress in some way or another, but we love the idea of: A) the process of writing, and B) solving the riddle.

Newman: It can be a great time for film music. Does it turn out that way? Not all the time, because there are so many people -- middle-management people -- with agendas that can make things more difficult. I'm so grateful to just be in a room with great players and hang with them, and have lunch with them. Any time is potentially a great time. Yes, you may be shot down, and things may be awful, but things can also be potentially fantastic. Sometimes when you say, "I want to be a part of this movie," as opposed to ride a surfboard on top of it, everyone does better.

28 novembro 2008

O homem por trás da música de "Lawrence da Arábia"

Em visita recente ao Japão (para participar do Osaka European Film Festival) o compositor Maurice Jarre, ganhador do Oscar por 3 vezes, falou sobre o seu trabalho no filme Lawrence da Arabia. Muito interessante!

Transcrevo abaixo algumas colocações suas:

"Eu pretendi transportar imediatamente a audiência para o mundo Árabe usando percussões no começo do filme.

Compor para as 4 horas de filme foi muito doloroso porque me foi dado somente 6 semanas para completar minha missão. Eu assisti uma versão sem edição do filme de 40 horas de duração, e a inspiração começou a fluir."





Não, o filme não está com problemas. Começa somente com a trilha, tela preta. A imagem só aparece aos 4:20s. Isso já demonstra a importância que o diretor dá para a trilha.

Se preferir ver direto no Youtube, agora tem versão widescreen:

http://br.youtube.com/watch?v=Ap8RXBpE9wQ


Jarre teve uma enorme e bem sucedida relação com o diretor David Lean, que dirigiu além de Lawrence da Arábia, Doutor Jivago e Passagem para Índia, todos com trilha sonora de Mauricie Jarre, cada uma delas premiada com o Oscar.

"Bons diretores como David Lean sabem perfeitamente como usar a música de forma efetiva num filme. Ele até mesmo me pedia para expressas sentimentos sutis de protagonistas através da música, sem diálogos.

Por outro lado, não importa quão excelente possa ser a música, filmes medíocres não podem ser transformados em filmes excelentes"


fonte: Daile Yomiuri Online


Imagina só escrever música para um filme de 4 horas em apenas 6 semanas. E a gente fica reclamando de prazos curtos!!

27 novembro 2008

Jimi Hendrix - para festejar seu nascimento

James Marshal Hendrix (a.k.a. Jimi Hendrix) nasceu em 27 de novembro de 1942. Mudou o rumo do rock, mudou o jeito de tocar guitarra, deixou todos de boca aberta quando apareceu com sua banda.

No começo da carreira chegou a acompanhar a banda de Little Richard. Obviamente não havia espaço no mesmo palco para 2 estrelas querendo aparecer. Little Richard perdeu o guitarrista. O mundo ganhou Jimi Hendrix.

Alguns fatos interessantes:

Hendrix ganhou sua primeira guitarra em 1959 (aos 17 anos). Nesse mesmo ano, sua única nota baixa na escola foi em... música!
Professores de música realmente não sabem nada!

A primeira apresentação profissional de Hendrix foi com uma banda sem nome, no porão de uma sinagoga. Após tocar coisas muito doidas e se mostrar muito no palco, foi expulso da banda no intervalo da apresentação.

No dia 9 de dezembro de 2008 será lançado uma edição comemorativa de 40 anos do album Eletric Ladyland (CD+DVD), incluindo o documentário At Last The Beginning... Tha Making os Eletric Ladyland. Aqui você pode ter mais informação e ver alguns trechos do documentário.

Abaixo deixo com vocês o documentário sensacional sobre sua vida - Jimi Hendrix: The Uncut Story, em 3 partes:

parte 1




parte 2




parte 3

26 novembro 2008

A importância do Músico

Não me esqueço daquele dia, era uma manhã tranqüila e eu estava no estúdio lendo uma pequena partitura de um autor qualquer; nem me lembro o nome.
De repente entra um amigo, ele é um Diretor de vídeo, daqueles competentes e animados com as novidades:
"-Olemir, você já viu aquele software que faz a Trilha?"

eu, tipo assim, me fazendo de bôbo, logo perguntei:
" - Como é isto? "

Ele meio que não acreditando que eu não conhecia aquilo, prontamente, de maneira empolgada me explicou a situação:
"-pois é... eu estava lá na Produtora "X",editando o vídeo "tal" e levamos mais ou menos umas duas horas fazendo isto e no final o Editor disse:"-Agora vamos fazer a Trilha Sonora."..."ele abriu um software e apertou alguns botões e pronto,estava lá a Trilha do VT."

eu,assim sem entusiasmo algum,logo lhe perguntei:"-E aí,ficou boa a tal trilha?"

"-não Olemir, pra te falar a verdade eu não gostei... Era pra ser uma idéia mais "pontuada", com um clima um pouco diferente, mais emocional... Mas enfim, o VT é daqueles baratinhos. "


Fiquei durante um bom tempo (pra não dizer até hoje) pensando naquela situação:

Chegará o dia, em que o trabalho produzido por minhas mãos, nascido em minha Alma, com a inspiração mais pura, proveniente Daquele que,além de me dar este Dom ainda me deu Saúde pra continuar lutando,será enfim substituído por um software?


-NÃO!

Graças ao bom Criador, uma mente foi Iluminada pra criar os tais softwares, porém os mesmos ainda precisarão de alguém com Inspiração pra fazer a escolha certa do Gênero Musical, pra moldar os climas de acordo com as cenas, ou simplesmente dizer: "Aqui não precisa de trilha nenhuma... aqui, quero apenas o Silêncio absoluto!"


-SIM!

A Música, aquela que é "a arte de manifestar os afectos da alma, através do som "(Bona), ainda está Viva e muito viva em nossas Almas, à espera do momento certo pra vir à este mundo,para complementar a Cena da Peça Teatral, as Palavras do Poeta Apaixonado,A Propaganda do Varejão da Economia,a Dança Funk do Morro do Adeus,enfim,as Cenas do Filme no Cinema, e etc.

Não devemos pensar que nosso trabalho terminou, ou que nossa carreira já está completa, pois a cada dia surge uma nova situação e sempre, em cada pedido novo, devemos estar dispostos à abrir nossas mentes, deixando fluir a mais Divina Música, aquela, inspirada no infinito Universo e manifestada aqui, à serviço da Humanidade.

Grande abraços à todos!

24 novembro 2008

Tributo a Freddie Mercury - 17 anos de sua morte

Em 24 de novembro de 1991, Freddie Mercury faleceu em decorrencia de complicações provocadas pela AIDS em sua casa, em Lodres, aos 45 anos, um dia após ele ter admitido publicamente que era HIV positivo.

Durante a carreira do Queen, eles colocaram mais de 40 singles entre os Tops 40 UK (parada de sucesso inglesa), incluindo a mais famosa no nº 1 “Bohemian Rhapsody” lançada em 1975.





17 anos depois, ao ser incluída no filme Wayne´s World (Quanto mais Idiota Melhor), a música atingiu o 1º lugar novamente nas paradas de sucesso na Inglaterra e pelo mundo afora, acontecimento único na história da música. Hoje é quase impossível ouvir essa música no carro sem balançar a cabeça como os personagens do filme.





Uma das músicas que eu mais gosto do Queen é “Love of my Life”.

Essa música tem uma história muito interessante.
Freddie Mercury compôs essa música para um antigo amor dele, Mary Austin, que foi sua namorada por 6 anos antes dele assumir sua opção sexual por homens, e foi sua melhor amiga até o fim da vida. Mary Austin herdou a fortuna de Freddie quando esse morreu.

Aqui um “making of” da gravação da música, contando um pouco sobre essa história de amor verdadeiro.





E uma vídeo super conhecido nosso, da apresentação do Queen no Rio de Janeiro, 1985.

Ele praticamente não canta, mas deixa o Maracanã inteiro cantar... e apesar disso (ou justamente por isso), o público vai ao delírio. Isso é que é artista, isso é que é domínio de palco!


21 novembro 2008

Ambiência e harmonia.

Olá pessoal, eu sou Kiko Steltenpool, tenho uma produtora de áudio chamada SteltenStudio em São Paulo, crio e produzo sons para muitos, muitos fins, algo que me dá grandessíssimo prazer.
O perfil da minha escrita e dos meus assuntos tendem a ser muito técnicos, por isso me esforçarei para não exagerar, discorrendo textos simples para todos entenderem.

Então, para dar início a minha participação aqui no blog, começo fazendo uma abordagem sobre um elemento muito importante quando se pensa num clima para uma trilha sonora, a harmonia, no sentido amplo da palavra. É aquilo que não é nem o ritmo, nem a melodia. Pessoalmente incluo na harmonia, que seriam basicamente os acordes na escola tradicional, todos os efeitos não melódicos, sintetizados ou não, a sonoplastia, inclusive o silêncio absoluto. O conjunto disso tudo trará a ambiência daquilo que se quer sonorizar, são esses os elementos principais para incorporar emoção, seja ela qual for, responsáveis por grande parte da trilha.

Pensar nessa harmonia e ambiência antes de tudo, pode encurtar muito o caminho para se chegar numa melodia e/ou ritmo. É obvio que existem trabalhos em que os últimos vem em primeiro, mas essa é apenas uma das formas para se começar, existem tantas...

É um tópico muito importante! Acho primordial refletir sobre isso antes de começar a criar uma trilha, elemento que nós compositores sentimos falta quando recebemos o briefing, pois na maioria das vezes ouvimos assim: “- Quero algo animado, pra cima!” Imagine só quanta informação pode conter dentro dessa frase! E qual delas vou usar para compor?
Pois é, tá aí a grande graça de ser compositor e produtor de trilhas, transmitir através de sons aquela informação que nem recebemos direito.

Por se tratar de um assunto muito vasto, darei continuidade a ele nos tópicos seguintes.
E deixo aí uma trilha chamada Artibeus, composta por Hans Zimmer & James Newton Howard, para o filme Batman Begins. Não há melodia nem ritmo, só efeitos e harmonia. Aconselho procurarem a versão original com som estéreo e de boa qualidade.

E agradeço aqui ao Mauricio Domene por ter me convidado como colaborador do blog. Valeu Mauricio!!

Grande abraço a todos e até a próxima!!

20 novembro 2008

O Mestre-Sala dos Mares

Em homenagem ao "Dia da Consciência Negra"

Hoje está sendo inaugurado uma estatua em homenagem ao "Almirante Negro", João Cândido Felisberto, líder da Revolta da Chibata.

Não por coincidência a data escolhida cai no "Dia da Consciência Negra".



No vídeo, legenda com a letra original, censurada pela ditadura militar, não por motivos políticos, mas por motivos racistas!

Abaixo transcrevo uma entrevista dada por Aldir Blanc (co-autor da música com João Bosco) explicando a letra, a história de como ela foi criada e os problemas que enfrentaram para que a letra fosse liberada pela censura.

Fonte: DHnet.org.br

"Fui apresentado ao compositor João Bosco por um amigo comum, Pedro Lourenço, na época estudioso de literatura. Arte. etc. Pedro havia feito pesquisas sobre a vida de João Cândido e a Revolta da Chibata. Na mesma época, o MAU (Movimento Artístico Universitário) foi muito influenciado pelo cineasta Cláudio Tolomei, já falecido. Tomolei tinha um projeto de fazer um curta com João Cândido. Formamos uma espécie de quarteto (Bosco, Cláudio, Pedro e eu) estudando e conversando sobre a importância gigantesca da Revolta da Chibata e da figura histórica de João Cândido para a cultura brasileira. Baseado no conhecimento que Pedro e Cláudio tinham do assunto e no livro, um marco, de Edmar Morel, Bosco e eu resolvemos partir para uma estrutura de samba-enredo clássico, que pudesse inclusive ser confundido com os outros sambas-enredos do ano – o que realmente aconteceu e nos emocionou muito. As pessoas ouviam “O Mestre-Sala dos Mares” e perguntavam: “Esse samba é de escola mesmo?”.

Tivemos diversos problemas com a censura. Ouvimos ameaças veladas de que o CENIMAR não toleraria loas e um marinheiro que quebrou a hierarquia e matou oficiais, etc. Fomos várias vezes censurados, apesar das mudanças que fazíamos, tentando não mutilar o que considerávamos as idéias principais da letra. Minha última ida ao Departamento de Censura, então funcionando no Palácio do Catete, me marcou profundamente. Um sujeito, bancando o durão, ficou meio que dando esporro, mãos na cintura, eu sentado numa cadeira e ele de pé, com a coronha da arma no coldre há uns três centímetros do meu nariz. Aí, um outro, bancando o “bonzinho”, disse mais ou menos o seguinte:

- Vocês não então entendendo... Estão trocando as palavras como revolta, sangue, etc. e não é aí que a coisa tá pegando...

Eu, claro, perguntei educadamente se ele poderia me esclarecer melhor. E, como se tivesse levado um telefone nos tímpanos, ouvi, estarrecido a resposta, em voz mais baixa, gutural, cheia de mistério, como quem dá uma dica perigosa:

- O problema é essa história de negro, negro, negro...

Eu havia sido atropelado, não pelas piadinhas tipo tiziu, pudim de asfalto etc, mas pelo panzer do racismo nazi-ideológico oficial.

Decidimos dar uma espécie de saculejo surrealista na letra para confundir, metemos baleias, polacas, regatas e trocamos o título para o poético e resplandecente “O Mestre-Sala dos Mares”, saindo da insistência dos títulos com Almirante Negro, Navegante Negro, etc. O artifício funcionou bem e a música fez um grande sucesso nas vozes de Elis Regina e João Bosco. Tem até hoje dezenas de regravações e foi tema do enredo “Um herói, uma canção, um enredo – Noite do Navegante Negro”, da Escola de Samba União da Ilha, em 1985.

Orgulho-me de, por causa deste samba, ter recebido a Medalha Pedro Ernesto, com João Bosco e o próprio Edmar Morel – infelizmente também já falecido – na presença dos filhos de João Cândido.

Aldir Blanc"




Versão maravilhosa na interpretação de Elis Regina:



E aproveitando que estou embalado postando vídeos, mais algumas maravilhas da cultura afro-brasileira:


Banda Black Rio - Maria Fumaça




Dona Edith do Prato - Marinheiro Só



E pra fechar, Jorge Ben Jor - Zumbi

17 novembro 2008

A importancia da Trilha Sonora

Olá,
meu nome é Olemir Candido,sou músico desde 1981 e atualmente estou em Goiás,na região Centro-Oeste.Trabalho com publicidade e também com Produção de Discos e Dvds(audio).
Estou muito feliz em ser convidado à participar deste blog e espero poder contribuir sempre com algo útil ao nosso dia a dia.

Quero deixar 3 videos que mostram a importância da Trilha Musical em um Video.Dependendo da escolha feita,a música tem o poder de influenciar nossos sentidos em várias direções.
Espero que gostem:







um abraço!

14 novembro 2008

Past, Present and Future of Music

Palestra apresentada por Dave Kusek no Business Innovation Factory Summit sobre a indústria da música. Muito interessante para entender a crise pela qual passam as gravadoras, e os caminhos que existem para os artistas hoje e no futuro.

Dave foi o criador da bateria eletrônica, que fez surgir a onda da Disco Music, criador da Passport Designs, empresa pioneira na criação de softwares de música. Foi um dos criadores do MIDI. Ou seja, é o cara para falar sobre mudanças e futuro na música.

The Story of the Guitar

Série da BBC sobre a história da guitarra. Com entrevistas com grandes guitarristas da história.
A do vídeo abaixo é com Pete Townshend (The Who), que entre outras coisas foi o cara que inventou a destruição no palco de guitarras, simbolo do rock ´n´roll, e ato odiado por músicos do mundo inteiro. Onde já se viu destruir uma Gibson... sacrilégio!




No site abaixo veja os outros vídeos (BB King, The Edge - U2, Les Paul e outros) e episódios da série.

http://www.bbc.co.uk/musictv/guitars/

13 novembro 2008

R.I.P. Mitch Mitchell

Baterista da lendária The Jimi Hendrix Experience.
Foi encontrado morto no quarto do hotel onde vivia, aos 61 anos.





Obituary: Mitch Mitchell 1947-2008
Mitch Mitchell, best known as Jimi Hendrix's drummer in The Jimi Hendrix Experience, was found dead in Portland, Oregon last night (November 12).

According to early reports, the drummer, who was still touring with the Experience Hendrix Tour, passed away in his hotel room. He was 61.

Born on July 9, 1947 in Ealing, west London, Mitchell began his showbiz career early, appearing on a children's TV show while still a teenager, before graduating to drums with a series of bands in the '60s.

Mitchell joined The Tornados in 1963, though it was rumoured that his individualistic approach to the drums caused him to clash with the band's pioneering producer Joe Meek, who wanted someone who would follow orders without adding an artistic interpretation.

He then played with groups including The Coronets, The Lively Set, The Riot Squad - and he even auditioned for The Who in 1964, but lost out to Keith Moon.

Having drummed for Georgie Fame in the mid-'60s, Mitchell was eventually recruited to drum for Hendrix in around 1966 after the US guitarist had been brought over to the UK by his manager, and former member of The Animals, Chas Chandler.

Joined by Noel Redding on bass, the trio recorded the albums 'Are You Experienced', 'Axis: Bold As Love' and 'Electric Ladyland' together, with critics noting Mitchell's ability to blend in jazz-inspired rhythms into rock 'n' roll.

During that period, while Redding and Hendrix were said to have had their differences – the bassist was actually a guitarist first and was frustrated at not playing his original instrument – Mitchell remained a constant presence, with the pair recording the acclaimed cover of Bob Dylan's 'All Along The Watchtower' together in 1968, with Hendrix supplying the bass part.

In 1968 Mitchell also played drums in the Dirty Mac band which featured John Lennon, and famously played as part of The Rolling Stones' TV special 'Rock And Roll Circus'.

Although The Jimi Hendrix Experience split in 1969 and Mitchell was not involved in the guitarist's subsequent band Gypsy Sun And Rainbows, he returned to drum for Hendrix's headlining appearance at the 1969 Woodstock Festival.

The pair then recruited bassist Billy Cox for a new incarnation of the Hendrix Experience in 1970, often known as the Cry Of Love band, who toured the US and Europe.

Following Hendrix's death on September 18, 1970, Mitchell worked on several posthumous recordings, before getting involved in a series of session work over the decades.

At the time of his death Mitchell was involved in the Experience Hendrix Tour, which saw the drummer and a series of guests performing the Experience's songs live.

Following US dates, he was due to return home to the UK on November 12, but was found dead in his hotel room having died of natural causes according to the Multnomah County Medical Examiner.

11 novembro 2008

Pure Rock - arquivo de fotos

Fazia tempo que eu não visitava o blog fotografico do Mr. Gibson.
Por várias vezes ele interrompeu o blog, fechou e reabriu, etc. mas agora está no ar e firme a algum tempo.

Pra quem gosta de rock e de fotografia, é um banquete. Muitas fotos raras, backstage, e shows.
Recomendo!

Uma amostra do Queen - 1981



http://purerock.zip.net/

Reforma no blog

Blog passando por reformas, grandes e estruturais.
Em breve anunciarei as novidades. Fiquem ligados porque vai ser bem legal e o blog deve pegar fogo.

27 maio 2008

Enquanto não refaço o site...

Já que estou demorando para refazer o site da produtora, e no que está no ar não tem nenhum vídeo, resolvi colocar no youtube meu portfólio de trilha sonora.

Aqui está:

21 maio 2008

Maioria dos CDs 'piratas' são fornecidos por gravadoras

Notícia veiculada no Meio&Mensagem

Estudo da Associação Brasileira de Música Independente aponta que 80% dos exemplares são distribuídos pelas empresas; denúncia será investigada pela Polícia Federal

Alexandra Bicca

20/05/2008 - 16:02

O vice-presidente da Associação Brasileira de Música Independente (ABMI), Francisco João Moreirão de Magalhães, afirmou na manhã desta terça-feira, 20, em audiência pública na Comissão de Educação do Senado, que 80% das cópias de CDs que entram no mercado informal são fornecidos pelas gravadoras. A declaração de Magalhãoes fez com que os senadores presentes solicitassem a investigação dessa informação. O assunto será encaminhado à Polícia Federal e também ao Conselho Nacional de Combate à Pirataria.

Para o vice-presidente da ABMI, que apóia e defendeu a atuação do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (ECAD), essa é última garantia que os autores nacionais têm de defesa dos seus direitos e proteção dos seus conteúdos. Magalhães declarou que o Brasil vive uma momento difícil nessa área, pois está aos poucos vendo a cultura nacional ser substituída pela cultura norte-america - classificada por ele como "subcultura". Para ilustrar essa declaração, Magalhães apresentou dados que mostravam que em maio do anos passado os filmes O Homem Aranha 3, Piratas do Caribe 3 e Shrek 3 ocupavam mais de 80% das salas de cinema do Brasil.

O pagamento de diretos autorais através do Ecad também foi discutido pela Comissão de Educação do Senado. De um lado integrantes da instituição, que defendem a fórmula de cobrança, e do outro representantes dos setores que queixaram-se do modelo que, segundo eles, prejudica o mercado nacional sem necessariamente significar incremento de ganho para os autores. A falta de fiscalização estatal sobre o Ecad - o Brasil tinha um conselho responsável pela fiscalização que começou a ser extinto nos anos 90 - e a necessidade de uma nova lei sobre a regulamentação dos direitos autorais no país foram reivindicadas por aqueles que se sentem prejudicados e pelos senadores que participaram do debate.

A lei prevê o repasse dos direitos autorais ao Ecad, a instituição definiu o percentual de 2,55% sobre a arrecadação bruta das empresas obrigadas a fazerem o repasse. De acordo com as informações passadas na audiência, a maior parte das emissoras de TV do país e mesmo as operadoras de TV por Assinatura não estão fazendo o repasse desses valores por discordarem do cálculo proposto. Há uma série de ações judiciais questionando o critério de cobrança.

24 abril 2008

Semp Toshiba - a arte de criar sons

Outro da série poeira...



Agencia Talent novamente, produtora do filme: O2.

Esse filme tem uma caracteristica comum a todos os filmes da série que fizemos da Semp Toshiba e de muitos comerciais (e filmes longa metragem também): ele é quase mudo.

Como assim?

Quer dizer que o que você ouve não foi gravado junto com a imagem. Com exceção da voz do moleque que corre pela fila, todo o restante foi produzido depois, na finalização do som do filme. O burburinho das pessoas na fila, o homem que pede o ingresso no caixa, os barulhos do tênis do garoto, o transito, o ruido do caixa, o garoto mostrando a lingua. Ouça várias vezes e perceba todos esses sons. Tudo foi criado em estúdio depois da filmagem, pela produtora de som.

23 abril 2008

Brastemp

Encontrei alguns comerciais da série Semp Toshiba que comentei anteriormente.
Ué? Não tem trilha?
Tem sim, mas é só na assinatura, que é como a gente chama aqueles 3 ou 5 segundos finais onde o locutor fala o o slogan do produto e a imagem mostra o produto (Pack Shot).

A criação dessa assinatura musical foi do Emilio Carreira, baseada no antigo Coral dos Bigodudos. A série rendeu muitos filmes bons (acho que mais de 30) sempre com o personagem sentado em uma poltrona, um take somente (sem cortes). Criada pela Talent sob o comando do Mauro Perez na direção de criação, os filmes foram produzidos pela O2 e dirigidos pelo Fernando Meireles (ele mesmo, do filme Cidade de Deus).

21 abril 2008

Releasing the music in your head

Por alguma razão que não entendo, não consegui colocar a janela do vídeo aqui nesse post. Então você vai ter que ir no link abaixo e ver o vídeo lá na pagina da TED.

Impressionante o que esses caras estão fazendo em termos de tecnologia aplicada a criação e execução musical, tanto para virtuosos da música como para amadores. O vídeo tem perto de 20 minutos, mas vale a pena ser visto até o fim, quando um rapaz com paralisia cerebral executa no palco uma das suas composições, feitas a partir da nova tecnologia criada pelo grupo do Tod Machover.

http://www.ted.com/index.php/talks/view/id/246

Tod Machover of MIT's Media Lab is devoted to extending musical expression for everyone -- from virtuosi to amateurs, and in the most diverse forms -- from opera to videogames (Guitar Hero grew out of his group). At TED2008 he talks about what's coming next, from new tools for music creativity to the world's first robotic opera. Machover then introduces Dan Ellsey, a young man with cerebral palsy who has found his voice through music created and performed using Media Lab technologies. Ellsey plays his "My Eagle Song" in a soaring rendition that underscores music's power to heal, to communicate, and to inspire.

18 abril 2008

Faber Castel - 1995




Encontrei hoje no YouTube. Um comercial da Faber Castel com canção do Toquinho (Aquarela). O som está podre, mas vela pelo registro. Fiz esse arranjo enquanto trabalhava na produtora Piano, com produção do Emilio Carreira. A Piano virou Zeeg2. Naquela época a gente ganhou um montão de prêmios com esse e outros comerciais. Só pra ter uma idéia fomos 5 vezes ganhadores de Prêmio Profissionais do Ano da Globo com campanhas para Brastemp, Semp Toshiba e Pullman.

Vou ver se encontro outros comerciais dessa época e coloco aqui.