16 dezembro 2009

28 outubro 2009

Ruído ou música? Depende...

Tem gente que ouve música até onde não tem.

Ouve o que esse cara fez com o filme Pulp Fiction:





Nas aulas de música que eu tive quando era criança aprendi que música era diferente de ruído. Mas ninguém explicou por que. Nem eu entendi, já que adorava usar ruídos pra fazer música. Acho que vem daí minha admiração pelo Hermeto Pascoal.

Há uma teoria que diz que a diferença entre ruído e música é a periodicidade. Ou seja, se pegarmos um ruído e o repetirmos em um intervalo constante, ele vira música.

Pode experimentar ai: pega uma colher e bate numa xícara e você tem um ruído. Bate a colher na xícara com constância e você tem 2 coisas: Rítmo (música) e uma mulher gritando pra você parar que parece criança na mesa.





06 outubro 2009

A morte da Voz da América Latina: Mercedes Sosa



Música e Resistência

Entre os anos de 1960 e 1985, muitos países latino-americanos viveram sob ditaduras militares cujo método de garantir a ordem era calar a população. Para isso, não havia limites. Na Guatemala, estima-se que 45 mil pessoas tenham desaparecido debaixo dos regimes de repressão; Na Argentina, cerca de 30 mil foram seqüestradas; Em 11 de setembro de 1973, Augusto Pinochet tomou o poder no Chile, e aproximadamente 31 mil pessoas desapareceram nos anos seguintes. Outros países também sofreram revezes em suas histórias através da tomada de poder e posterior implementação de regimes ditatoriais. Na República Dominicana, em1966, Joaquín Balaguer tomou o poder fraudando eleições e reprimindo severamente opositores políticos; No Haiti, em 1957, François “Papa Doc” Duvalier foi eleito presidente mas passou a governar numa ditadura sangrenta e baseada na tortura e no terror. Foi sucedido por seu filho, “Baby Doc”, igualmente perverso; No Uruguai, em 1973, foi o grupo guerrilheiro articulado pelos Tupamaros que serviu de base para a implantação da ditadura militar; No Paraguai, a ditadura militar do General Alfredo Stroessner, “El Rubio”, foi instaurada em 1954 e só começou a enfraquecer em 1989. Desde janeiro de 1959, Fidel Castro governa Cuba sob a marca do medo e do silêncio. No Brasil, em 1964, teve início o período sombrio da história com a Ditadura Militar, só encerrado em 1982, com a realização de eleições indiretas, cujo candidato mais forte era um civil.

A arte toda fala da realidade de um país, mas é a música a ser reproduzida na voz das pessoas nas ruas, no canto do rádio que invade a atmosfera e os ouvidos do povo, liberando gritos por justiça. Em cada um dos países citados, sangue de músicos foi derramado para que não fossem eles os profetas da liberdade que seus povos ansiavam.

Cada um dos países teve seu mártir vindo da música. Por exemplo,Victor Jará, assassinado no Chile; Daniel Viglietti, perseguido no Uruguai; Glória Estefan, que abandonou Cuba para não ser morta; Geraldo Vandré, torturado no Brasil.

Mercedes Sosa foi esta voz maior, este tributo à liberdade cantado a plenos pulmões. Quem dera cada músico olhasse para estes mártires e tornasse um bem maior para seus povos, um caminho que os levassem à dignidade e à cidadania.

Mercedes Sosa morreu no domingo, dia 04 de outubro. Desde 18 de setembro, a saúde de Mercedes deteriorou-se. Internada na UTI de um hospital em Buenos Aires, com problemas renais progressivos, complicações cardiorrespiratórias e respirando com a ajuda de aparelhos, Mercedes recebeu a extrema unção na sexta-feira, indicando que seu quadro era irreversível.

Fábio Matus, único filho de Mercedes, disse à imprensa argentina que sua mãe viveu uma vida plena e fez praticamente tudo o que quis.

Mercedes é uma das intérpretes mais conhecidas da música latino-americana e a mais famosa artista Argentina, citada ao lado de nomes como Carlos Gardel e Astor Piazzolla. Mercedes Sosa foi um "símbolo de liberdade". Ela inspirou combatentes dos regimes militares por toda a América Latina.
“A vida me escolheu para cantar”, declarou poucos meses atrás.

Mercedes Sosa foi indicada para 3 prêmios Grammy’s 2009, incluindo o de melhor álbum.
Morre alguém que fez muito mais do que arte. Mercedes guerreou por seu povo. A voz da América Latina se calou para sempre.

História


Haydée Mercedes Sosa nasceu em San Miguel de Tucumán, Argentina, em 9 de julho de 1935. O lugarejo era pobre e sua família trabalhava na lavoura. Desta vida humilde veio o apego às expressões artísticas populares. Adolescente, gostava das danças folclóricas, e até de ensiná-las, além de cantar.

Em outubro de 1950, arriscou-se em um concurso organizado pela rádio LV 12, da cidade onde vivia. Mercedes contava que só se inscreveu por causa do incentivo e insistência de um grupo de amigas. A vitória no concurso levou-a ao primeiro contrato... De 2 meses de duração. Mas o timbre grave de sua voz e seu estilo folclórico atraiu a atenção de muita gente.

Mercedes Sosa ficou conhecida por uma militância política corajosa.

Com 25 anos, em fevereiro de 1963, comprometeu sua voz e sua carreira com a música de raiz argentina, integrando-se ao movimento Nuevo Cancionero, fundado pelos artistas Manuel Orçar Matus (marido de Mercedes); Armando Tejada Gómez (autor de "Canción con todos", considerado um hino latino americano. Em 1952, Gómez sofreu banimento da profissão de locutor de rádio na Argentina por se negar a usar luto pela morte de Eva Perón); e Tito Francia. O movimento nasceu na cidade de Mendonza, e suas raízes fincavam-se na cultura afro, cubana, andina e espanhola. O movimento também propunha que a música retratasse a luta diária do povo argentino, suas alegrias, suas tristezas; seus fundadores rechaçavam o que chamavam de imperialismo norte-americano e a desigualdade social. Este mesmo movimento conquistou vozes como as de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque.

Em 1965, Mercedes passou a ser chamada de La Negra: por causa dos cabelos negros, lisos e sempre longos, sua pele escura e sua ascendência nativa. Mercedes nunca se opôs ao apelido!

Em 1967, sua voz, seu jeito de cantar e sua personalidade ganharam a Europa e os Estados Unidos, em turnês que percorreram o solo anglo saxão.
Durante alguns anos, Mercedes Sosa e o marido cantaram em universidades argentinas promovendo a cultura popular.

A personalidade e atitude de Mercedes surpreendiam o público. Seu marido lançou um selo independente para abrigar os álbuns que eles lançavam. Mas, apenas em 1965, durante o Festival Nacional de Folclore de Cosquín, Mercedes foi apresentada ao grande público”. Em abril de 1967, Mercedes gravou “Mujeres Argentinas”, trabalho que foi concretizado somente em 1969, quando a Argentina entrava no seu período de ditadura. Muitos argentinos foram presos, e algumas músicas de Mercedes Sosa sofreram censura na Rádio Nacional, emissora estatal Argentina.

O ano de 1973, foi um ano de lutas pela volta da democracia na Argentina, e um tempo de muita violência. Mercedes continuava seu trabalho militante, cantando a realidade que o país vivia.

Em 1976, Mercedes Sosa lançou um álbum em que cantava a poesia de artistas como Pablo Neruda, Víctor Jará, Alicia Maguiña ,Ignacio Villa, e outros.

Em 1977 o clima político e social na Argentina era extremamente tenso. Em 1979, a violência sacudia a sociedade argentina, e Mercedes continuava a cantar, apesar da morte de segundo marido. Havia um clima hostil entre ela e o governo argentino, que queria obrigá-la a exilar-se. Durante um show em La Plata, cidade universitária controlada pela ditadura, a polícia formou um cerco em torno da casa de espetáculo onde Mercedes se apresentava, deteve La Negra e todo o público que ali a prestigiava.

Mercedes foi liberada depois de 18 horas por causa da pressão dos veículos e organismos internacionais, mas resolveu exilar-se, embarcando para Paris com uma pequena bagagem e uma bolsa de mão. Em 1980, mudou-se para Madri.

Teoricamente, Mercedes Sosa podia entra e sair da Argentina livremente, mas não tinha autorização para cantar. Ela não poderia viver assim. Num país onde a vida humana não tinha nenhum valor, e milhares de pessoas desapareciam sob a escuridão de um regime usurpador, a voz de Mercedes seria um grito de liberdade. Mercedes sabia o que ocorria com os artistas que tinham permanecido na Argentina durante aqueles anos.

Mercedes só teve permissão para apresentar-se na Argentina em 1982, poucos meses antes de ser deflagrada a Guerra das Malvinas. Sua reestréia em Buenos Aires ocorreu no Teatro Ópera, em uma temporada muito comemorada. Mas foi só uma passagem. Mercedes só receberia autorização para voltar para casa em 1984, com o fim da ditadura. No show de sua volta, uma multidão a assistiu em Buenos Aires. O show teve a participação de Milton Nascimento, que também a incentivou a firmar carreira no Brasil.

Mercedes cantou com artistas do mundo todo, como Sting, Andrea Bocelli, Luciano Pavarotti, Nana Mouskouri, Joan Baez, Silvio Rodríguez e Pablo Milanés, e muitos outros.

Homenagens e Prêmios

Mercedes recebeu muitas homenagens ao longo da vida. Em 1989, ganhou a medalha da Ordem do Comendador das Artes e Letras do governo da França e , em 1992, foi declarada cidadã ilustre de Buenos Aires; em 2000, recebeu o Grammy Latino de melhor intérprete internacional; Está indicada para 3 Gramy’s 2009, incluindo melhor álbum.

A carreira de Mercedes pelo Brasil teve o apoio de Milton Nascimento, com quem gravou a faixa “Volvera los 17” do álbum dele Geraes – 1976. Mercedes Sosa fez parceria vocal com Beth, Carvalho (So le piedo a Dios. Ela cantando em espanhol e Beth em português!), Fagner (Años – 1891), Caetano Veloso, Chico Buarque, Daniela Mercury... A lista é longa!



texto: Chris Gialucca

28 setembro 2009

Mistérios da música

Algumas reações das pessoas com a música são complicadas de entender.

Por exemplo: porque algumas músicas simples, e até mesmo bobas, ou sem grandes atrativos, mexe tanto com a gente. E mais complicado de entender quando isso acontece não só comigo (um individuo), mas quando a coisa se espalha como praga, e desperta em muitas pessoas um mesmo sentimento.

Será o sentimento de pertencimento? De grupo? O mesmo que ocorre numa torcida de estádio? Que empolgação é essa?

Mas o mistério mesmo está nisso: porque algumas músicas provocam isso enquanto outras não?

I Gotta Feeling (do Black Eyed Peas) faz isso. Apesar da música ser fraquinha (do ponto de vista puramente musical), ela mexe. E, claro, provoca uma avalanche de vídeos.

Começando com o garoto na loja da Apple dublando:



O próprio Black Eyes Peas no programa da Oprah:



E um vídeo muito bacana feito pela turma daUQAM (Quebec, Canada, num plano sequencia de dar dor de cabeça só em imaginar o planejamento pra fazer dar certo:



Aconteceu a mesma coisa com a Macarena. Mas essa eu vou poupar vocês e não vou colocar um vídeo.

14 agosto 2009

40 Anos do festival de Woodstock

A primeira Rave: agosto de 1969

Quatro rapazes. Dois tinham dinheiro, dois tinham idéias. Os dois das grandes idéias queriam montar uma gravadora para oficializar a música da cidadezinha onde moravam chamada Woodstock, pertinho de Manhatan, ou realizar um festival que incluísse música, arte e estilo de vida.

Juntos, John Roberts, Michael Lang, ambos com 24 anos de idade, e Artie Kornfeld e Joel Rosenmann, com 26, realizaram a primeira rave da história: três dias de música, cores, idéias e drogas.

Eles decidiram que o evento seria realizado fora da cidade, para enfatizar o clima de “volta ao campo”. Para atrair o público jovem, foram usados os símbolos e frases consagrados pela contracultura. Uma tornou-se o lema: “Três dias de paz e música”. Os planos eram reunir 100.000 pessoas, mas Woodstock superou todas as expectativas: quase meio milhão de pessoas acompanharam os três dias de “mentes abertas”. O festival gerou um dos maiores congestionamentos de Nova York, e nenhum acidente!

Mas, o que foi o festival de Woodstock, afinal? É preciso entender um pouco do mundo em que eles viviam.

A história

Nos anos 50, acabada a 2ª Grande Guerra, a Guerra fria começou a se instalar. De um lado a União Soviética, recém fortalecida. De outro, os Estados Unidos, a nação mais próspera e suas fortes tendências colonialistas.

Dentro dos Estados Unidos, surge o macartismo, um movimento conservador que desencadeou uma campanha anti-comunista e anti-socialista e tentava disseminar o fundamentalismo norte-americano. Muitos artistas, produtores e intelectuais foram incluídos numa lista de suspeitos de serem comunistas e combater os valores “americanos autênticos” e vigiados dentro de seu próprio país. Um deles foi Charles Chaplin, perseguido pelo FBI por causa das mensagens humanistas de seus filmes. Em 1952, Chaplin deixou os Estados Unidos.

Mas sempre tem alguém descontente!


Esse tal de Elvis Rock Presley in Roll

Lá pela metade dos anos 50, da música que soava dos guetos negros saiu um garoto com uma voz lindíssima, uma dança sexy, e branco. Elvis apresentou o rock ao público branco.


Os Beatnicks

Os beatnicks foram uma geração que teve que sair de casa e freqüentava muito as rodovias, como a famosa Rota 66. Eram jovens que se conheceram na universidade, que liam Kafka e Nietzsche, Melville e Withman, autores considerados nada ortodoxos na época. Estes jovens não eram bem vistos pela sociedade, e tentavam mostrar seu desgosto com a cultura contemporânea.

O beatnick valorizava a individualidade, o livre arbítrio, a experimentação e a mudança, fazendo oposição à manutenção dos antigos valores da burguesia.

Segundo escritos beats, eles queriam o direito de serem eles mesmos; não tinham solução para os problemas do mundo, nem para os seus próprios!

Algumas das características do movimento foram a criação espontânea, seguindo um ritmo mental fluente, cheio de frases em movimento, liberdade na poesia, cheia de imagens surreais, livre de padrões, com versos de 5 linhas; na música, encontrava seus paralelos no bebop de Charlie Parker, no ato de criação contínuo e improvisos no palco; na pintura, o expressionismo abstrato de Jackson Pollock, aqueles quadros que mais parecem “borrões” sobrepostos!

O principal nome do movimento é Jack Kerouac, um escritor que acreditava que sua missão era escrever livros e pregar a bondade universal. Seu objetivo era a liberdade para o homem, num certo prenúncio do que seriam os hippies nos anos 60.

Outro expoente beatnick foi William Borroughts, um herdeiro rico, formado em medicina, mais velho e mais culto que todos os outros beats. Foi viciado em heroína por 10 anos.

Descreveu aqueles anos em um livro chamado Naked Lunch, contando de viagens e paranóias, permeadas de horrores do imaginário; mundo habitado por traficantes e lagartos; “o inferno”, segundo o autor de A Laranja Mecânica.


Nos anos 60…

Nos anos 60, deixando para trás o rock inocente e romântico dos anos 50, surgem artistas preocupados em que suas músicas passassem mensagens políticas e acordassem o grande público, enquanto o mundo entrava na era do consumo! As regras chegavam às pessoas através da tv, e a guerra fria continuava esquentando as cabeças.

Em 1961, os Beach Boys faziam sucesso tocando a “surf music” nas praias, estilo inspirado no doo woop, dos grupos musicais que cantavam de terno e estalavam os dedos, com uma afinação impecável.

Quase ao mesmo tempo, nos bares, tendo como base o folk, surgiram artistas como Bob Dylan e Joan Baez, que mudariam mais uma vez a cara do rock.

Em 1963, o trabalho de Bob Dylan já repercutia, e as letras inteligentes de sua música chamavam a atenção de público e crítica, fato inédito até então na música pop. Em maio daquele ano foi realizado o Monterey Festival, na Califórina, reunindo Bob Dylan e Joan Baez, além de outros artistas do estilo como Peter Seeger e o trio Peter, Paul & Mary. Lembram-se do macartismo? Pois é, a música folk e, principalmente, Bob Dylan seriam taxados de comunistas, o que atraiu ainda mais a atenção do público jovem, cada vez mais sedento de novidades!

Enquanto isso, na Inglaterra, os Beatles já começavam a dar seu recado.
Em 1965, na Califórnia, surge o The Doors, liderado por Jim Morrison. Naquela época, rock e drogas andavam quase sempre juntos. As drogas não mais eram apenas consumidas para eliminar o cansaço como se dizia, mas também buscar prazer e estados alterados de percepção. A música da época foi fortemente influenciada por drogas como LSD, o que acabou rendendo ao rock o título de “Música do Diabo”.


Hippies

Mas os anos 60 foram também a década do movimento hippie, uma versão em cores dos beatnicks, e sua mensagem era de paz, amor e sexo livre. De cabelos grandes, batas e drogas, o movimento hippie opunha-se aos valores consumistas e à política bélica dos Estado Unidos. Ele queriam acabar com a pobreza, o racismo, denunciar a poluição do ar, libertar-se da inveja e da cobiça.

Em 1967, de 16 a 18 de junho, na California, foi realizado o Monterey Pop Festival, considerado o primeiro grande festival de rock. Graças à cobertura dada ao festival, os hippies e seus melhores grupos de rock ganharam fama internacional. Eram esperadas cerca de 7 mil pessoas, mas o Festival acabou recebendo mais de 50 mil, a maioria sem ingresso. O slogan do festival era “Música, amor e flores”. O Festival de Monterey mostrou ao mundo duas estrelas: Janis Joplin e Jimi Hendrix, os ícones do movimento hippie, e contou ainda com The Animals, Simon and Garfunkel, Bufallo Springfield, entre outros.

Em 1968, nasce o Led Zeppelim de Jimmy Page com sua sonoridade inédita e mais agressiva do que qualquer música anterior, embora carregasse a herança do blues.

Em 1969, a morte de um fã durante um show dos Rolling Stones durante uma apresentação gratuita no festival de Altamond, na California, foi marcante.


Mesmo assim…

Naquele mesmo ano foi realizado o maior festival de música até então.
Entre 15 e 17 de agosto, numa fazenda em Woodstock, interpretado por muitos como o marco do início de uma nova era de paz e amor, com apresentações entre outros de Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jefferson Airplane e The Who, foi realizado o Woodstock Music & Arts Fair Festival. O valor do ingresso para o fim de semana era 18 dólares, mas a maior parte do público invadiu o local derrubando as cercas, sem pagar nada. Na faixa!
Foi ali onde Crosby, Still, Nash and Young tocaram para mais de 400 mil pessoas; e onde aproximadamente 320.000 pessoas viram Jimi Hendrix tocar.

O festival teve duração de 3 dias. Mas no quarto dia, diante de pessoas que insistiam em não ir embora, drogados demais para voltar para casa, debaixo de um sol intenso, Jimi Hendrix subiu ao palco, e fez sua famosa interpretação do hino nacional dos Estado Unidos, “The Star Spangled Banner”, arrancando de sua guitarra explosões de bombas, granadas, rajadas de metralhadoras e roncos de helicópteros, uma alusão à guerra do Vietnã.

Era 18 de agosto. Foi o ápice.

Por três dias, o local tornou-se uma mini-nação hippie, onde as mentes estavam “abertas”, drogas eram totalmente permitidas, e o amor era livre.

O Festival criou um dos piores engarrafamentos da história norte-americana, e foi um marco na história da música mundial.

O primeiro dia de Woodstock reuniu diversos astros da folk music numa atmosfera acústica; várias canções refletiam a agitação da sociedade norte-americana dos anos 60. Country Joe McDonald cantou I Feel I´m Fixing to Die, uma afiada sátira à guerra do Vietnã; Joan Baez criticou os conservadores em Drug Store Truck Driving Man,e ironicamente, dedicou-a ao então governador da Califórnia Ronald Regan.

Quem abriu o festival foi Richie Havens, que tocou duas músicas.

As imagens gravadas do público mostram que o slogan não era só uma frase, e que o clima de “paz e amor” realmente se instalou por lá.

Já no dia 18, o indiano e pai da cantora Norah Jones, Ravi Shankar, tocou uma música instrumental no ritmo de seu país.

Arlo Guthrie cantou Bob Dylan na música Walking Down The Line.


Alguns números

Três pessoas morreram (uma por overdose de heroína, uma por ruptura de apêndice e outra atropelada por um trator);

Quarto abortos foram comunicados;

Duas pessoas nasceram;

Dezoito médicos e trinta e seis enfermeiros fizeram 6.000 atendimentos; no dia 16 de agosto, mais 50 médicos foram chamados;

Aproximadamente 100 pessoas foram presas por envolvimento com drogas;

Quinhentos mil sanduiches foram consumidos no primeiro dia de festival;
Seiscentos banheiros químicos foram instalados no local;

Houve prisões por envolvimento com drogas, mas nenhum incidente violento, nem nos arredores da fazenda onde era realizado o evento, apesar da multidão acampada ali;

Quase 500.000 jovens descobriram que as palavras compartilhar, ajudar, consideração e respeito são muito poderosas;

Aqueles jovens saíram de Woodstock com uma visão totalmente nova da vida: “saíram de lá sentindo-se ungidos de santidade, como seres privilegiados de outro planeta”, como alguém descreveu.

O evento foi documentado em um filme de mais de três horas de duração, dirigido por Michael Wadleigh


Quem tocou lá

Primeiro dia:
Richie Havens
Sweetwater
Bert Sommer
Tim Hardin
Ravi Shankar
Melanie
Arlo Guthrie
Joan Baez

Segundo Dia
Quill
Country Joe McDonald
John B. Sebastian
Keef Hartley Band
Santana
Incredible String Band
Canned Heat
Grateful Dead
Creedence Clearwater Revival
Janis Joplin
Sly & The Family Stone
The Who
Jefferson Airplane

Terceiro Dia
Joe Cocker
Country Joe & The Fish
Leslie West/Mountain
Ten Years After
The Band
Johnny Winter
Blood Sweat And Tears
Crosby, Stills, Nash & Young

Quarto Dia
Paul Butterfield Blues Band
Sha-Na-Na
Jimi Hendrix



Moral da estória!

Uma nova moral, nova ética, novos valores foram plantados na mente das pessoas. Esta semente ainda existe dentro de quem se permite sonhar e acreditar na realização de seu sonho. Aliás, um sonho que ainda não acabou…

Quanto ao rock, grandes músicos o elevaram à categoria de arte, fazendo desaparecer para sempre a simplicidade característica de seus primeiros anos.

Mas nem tudo terminou em flores…

Jimmy Morrison acabou morrendo de overdose, aos 27 anos.
Jimi Hendrix morreu sufocado pelo próprio vômito, também vítima de overdose, também aos 27 anos. Janes Joplin teve o mesmo fim. Ela também tinha 27 anos.

Por Chris Domene - Jornalista

31 julho 2009

O poder da Escala Pentatônica

5 notas. Só 5 notinhas. Isso é a escala pentatônica.

Se o nome não é familiar, com toda certeza você já ouviu ela milhares de vezes.
É a escala mais intuitiva. Usada em muitas formas de música primitiva.

Os índios usam flautas com a escala pentatônica. Os chineses usam a escala pentatonica. O Blues usa a pentatônica. Música escocesa (gaita de foles), música gospel (Amazin Grace é composta usando somente as notas da escala pentatônica), as orquestras de gamelan na Indonésia usam a pentatônica.

Claude Debussy usou, os cantos gregorianos usam, os gregos antigos, Keith Richard dos Rolling Stones.

A sua mãe quando limpa o piano e passa o pano de pó nas teclas pretas toca a escala pentatônica.

Em qualquer parte do mundo essa escala é muito difundida. De alguma forma, ela parece estar impregnada na nossa mente. Por que? Como?

Os neurociêntistas não explicam, mas o Bobby McFerrin demonstra com uma clareza que só vendo.
Então veja:

10 julho 2009

Jingle ao Contrário

Um jingle normalmente é feito para enaltecer um produto, ou provocar uma maior simpatia com determinada marca. E se bem feito, é muito eficaz.

Mas e um jingle ao contrário? Feito para falar mal de uma empresa?

Foi o que Dave Carrol fez.

A história

Dave é um cantor de country e estava viajando com sua banda para tocar em Nebraska. O violão de Dave foi tratado de forma não muito delicada pelos carregadores do avião, e o resultado foi um violão de U$ 3500 quebrado.

Cansado de ser enrolado por 9 meses pela United Airlines para ter o reembolso de sua perda, resolver fazer o que melhor sabe fazer: compôs uma canção falando mal da empresa e colocou no Youtube.

Resultado: em 4 dias o vídeo foi visto por mais de 1.4 milhão de pessoas. Acho que o prejuízo de imagem da United foi bem maior que os U$ 3500 que ela devia ao Dave Carrol.







Detalhes da história:

www.davecarrollmusic.com

25 maio 2009

A tecnologia se rende à tradição

Os estúdios de criação de trilha tem se tornado cada vez mais centrais de tecnologia, softwares sofisticados, instrumentos virtuais, etc.



Mas algumas vezes o velho e bom papel pautado e lápis saem do armário e se metem no meio da produção.



Foi o que aconteceu na criação de uma vinheta para uma rádio grande de São Paulo. Na hora de decidir qual a melhor linha melódica para se cantar o nome da rádio, o papel e lápis ganharam em praticidade do computador e seus software quase mágicos.

O resultado final ficou ótimo, e terminamos com 20 canais de gravação só de vocal.


Assim que o job estiver aprovado eu coloco aqui pra vocês ouvirem.

Mauricio Domene

15 maio 2009

Larry Lessig: How creativity is being strangled by the law

Infelizmente, só em inglês. Mas no site do TED tem como assistir com legendas em espanhol (e inglês, que as vezes ajuda).

O advogado Larry Lessing fala sobre direito autoral, senso comum, creative commons, e como podemos sobreviver nesse emaranhado de conceitos caducos de cópias ilegais, P2P, remix, mashups, etc

Não se deixe perder nos primeiros minutos da apresentação porque tudo fará muito sentido logo adiante.



Larry Lessig, the Net’s most celebrated lawyer, cites John Philip Sousa, celestial copyrights and the "ASCAP cartel" in his argument for reviving our creative culture.

Larry Lessing on TED

Mauricio Domene

Trilhas sonoras inapropiadas

Uma música pode mudar todo o ritmo de uma cena. Por isso é tão díficil compor uma trilha apropiada para um filme. Para provar essa tese, o site Trailer Trash compilou uma série de cenas clássicas do cinema e deu um toque especial com trilhas inapropiadas. Assista e comprove a importância do trilheiro.







30 abril 2009

DVD em 1932?

Uma proposta da RCA Selectavision, uma divisão da RCA de onde vieram a fita magnética e o VHS... em 1932.

Veja o "anúncio":



"Home Movies From Phonograph Records

PLAY a moving picture from a phonograph record!

When Baird, the English television experimenter, suggested this system several years ago, he did not realize how soon it would be before his prophecy would come true.

Those who have listened to television programs know that the signals become audible in the form of a shrill whistle in the loudspeaker. This whistle carries the picture elements in the form of modulated sound.

If we pass this sound through suitable apparatus it becomes capable of reproducing a picture. It is obvious, then, that we could record this sound on a phonograph record and “can” a picture just as we now “can” sound in the form of music.

The sound, in the form of electric current, is taken from the phonograph record by means of a specially designed electrical pick-up. From this point it is carried to an amplifier and thence to a television crater tube. At this point the image is thrown on the screen.

While much remains to be done to develop this apparatus, we may look forward to the day when our moving pictures will come in this new and convenient form."

Fonte: modernmechanix

Só para ter comparação do avançado da idéia: em 1928 foi instalada a primeira estação de TV nos EUA

















































Fonte: tvhistory


Mauricio Domene

28 abril 2009

Música pirata em 1897 ?!?

É só trocar os números e ao invés de partitura substituir por CD e download que o texto parece que foi escrito hoje.




Fonte: NY Times

27 abril 2009

Tico Tico no Fubá em versões

Versões do Tico Tico no Fubá.

Composta por Zequinha de Abreu (1880-1935), compositor paulistano, em 1917, logo se tornou sucesso.

Tornou-se uma das músicas mais conhecidas e gravadas, no Brasil e no exterior, com versões por Carmen Miranda



Ray Conniff e outros.



Em 1945 a música fez parte da trilha sonora de nada menos que 5 filmes americanos, entre eles "Saludos Amigos", da Disney, onde pela primeira vez apareceu o personagem Zé Carioca.

Em 1952 a Cia. Cinematográfica Vera Cruz produziu sob direção de Fernando de Barros e Adolfo Celi o filme "Tico-tico no fubá" baseado na vida de Zequinha de Abreu, estrelado por Anselmo Duarte e Tônia Carrero, com trilha sonora de Radamés Gnatalli.

Ah, certo... você achou Ray Conniff meio brega.
Mas é porque você não viu isso:

Liberace



Claro, toda música muito executada, é passível de sofrer esses desatinos.

Mas também tem muita coisa boa:

Hermeto Pascoal e Sivuca



Paco de Lucia



Quer mais?

Um site com 61 versões do Tico Tico no Fubá.

http://blog.wfmu.org/freeform/2005/11/61_versions_of_.html


Mauricio Domene

15 abril 2009

The Art and Business of Song

Infelizmente, sem legenda. Mas para quem entende inglês, e principalmente para quem se interessa pelo assunto, vale a pena ver. Um pouco longo (1h28m), mas valioso.

Wendy & Lisa são mais conhecidas por terem participado de uma fase muito importante da banda do Prince (anos 80). Atualmente estão envolvidas com projetos de trilha sonora (Heroes) e acabaram de lançar um belíssimo disco de canções (pode ser ouvido aqui).



Ann Powers in Conversation with Wendy & Lisa. Join Popular Music Project 2008-09 Artist in Residence and LA Times pop music critic Ann Powers as she talks about the business of making music, past and present, with Wendy and Lisa. Wendy Melvoin and Lisa Coleman are best known for their collaborations with Prince in the early-mid 1980s. They began their career as a duo in 1986 and currently score the music for the NBC series Heroes as well as the upcoming Fox series Virtuality, and Showtimes Nurse Jackie.

13 abril 2009

Download de música... em 1983??

Sim, em 1983, muito antes da Internet comercial, antes do sucesso do CD, muito antes do que qualquer um de nós pudesse imaginar tudo que está acontecendo com a música na Internet.

Quem foi o gênio que pensou nisso?

Frank Zappa (1940 – 1993)



O mesmo gênio que pensou a música num formato totalmente diferente, que deu o primeiro emprego ao Steve Vai, que lutou contra censura nos EUA veementemente, e com discursos recheados de tiradas sarcásticas e geniais, que brigou com a sua gravadora (Warner) em 1977 por incentivar os fãs a gravarem as músicas do seu disco das rádios (disco esse que havia sido recusado pela Warner), etc.

Tem muito material sobre Zappa na net, como esse no Wikipedia, esse no AllMusic, fora o site oficial dele.

Abaixo, em trecho da proposta dele para um sistema de venda de músicas para substituir o sistema de venda de discos.


A PROPOSAL FOR A SYSTEM TO REPLACE ORDINARY RECORD MERCHANDISING

- copyright 1983 by Frank Zappa -

Ordinary phonograph record merchandising as it exists today is a stupid process which concerns itself essentially with pieces of plastic, wrapped in pieces of cardboard.

These objects, in quantity, are heavy and expensive to ship. The manufacturing process is complicated and crude. Quality control for the stamping of the discs is an exercise in futility. The system is subject to pilferage (as, in some instances, pressing 'over-runs' have been initiated, with the quantity pressed above the amount of the legitimate order removed from the premises and sold on the black market).
...
Every major record company has vaults full of (and perpetual rights to) great recording by major artists in many categories which might still provide enjoyment to music consumers if they were made available in the right way. MUSIC CONSUMERS LIKE TO CONSUME MUSIC . . . NOT PIECES OF VINYL WRAPPED IN PIECES OF CARDBOARD.

Aqui você pode ler a proposta completa escrita por Frank Zappa em 1983.

02 abril 2009

1º de abril musical

A melhor pegadinha de 1º abril que já vi.

A Apple colocou na loja do iTunes uma promoção especial no dia 1º de abril.
Download de graça da música 4'33" do John Cage.

De graça!! E a pegadinha não era isso. Realmente era de graça.

A pegadinha era que muita gente desconhece a música 4'33".

Definitivamente foi a melhor pegadinha de 1º de abril que eu não ouvi.

Mauricio Domene

30 março 2009

As opções profissionais para os músicos - Revista Música e Imagem



Acabou de chegar aqui no estúdio a nova edição da revista "Música e Imagem", editado pela Roland (fabricante de instrumentos musicais e equipamentos de áudio).

Nilton Corazza, editor da revista, havia me convidado para escrever uma coluna, e lá está a matéria na pagina 25.




Já havia colaborado com o Nilton na revista Studio, quando escrevi uma coluna sobre trilha sonora por um ano. Essa experiência de escrever sobre a profissão é muito interessante. Obriga a pensar e teorizar o que fazemos muitas vezes por instinto ou porque aprendemos na prática. Diria que aprende-se muito mais do que se ensina.

Mauricio Domene

24 março 2009

Novo game da Garoto, com trilha do Estúdio Next

Está online o novo game da Garoto, para uma promoção de Páscoa, com trilha do Estúdio Next.


www.garoto.com.br

Diferente da maioria das trilhas sonoras de games desse porte, não segui a lógica de musiquinha eletrônica e infantil. Optei por utilizar instrumentos de verdade (baixo e guitarras) para dar mais vida, para criar um som mais orgânico em contraponto ao universo eletrônico da maioria dos games.

Também escolhi um ritmo mais atual, levando em conta o que a garotada anda ouvindo. O fato de ter filhos ajuda a não entrar no preconceito de “fazer musiquinha pra criança”, um erro que muita gente acaba cometendo por não vivenciar o universo infantil. Acaba só repetindo o que já ouviu por aí de música infantil sem se perguntar se ainda é uma referência válida.

Um diferencial na criação de uma trilha para game é que a duração dela não está previamente determinada. A gente nunca sabe quanto tempo ela vai ficar tocando, pois isso depende do andamento do jogo, da habilidade do jogador. Por isso o processo exige uma técnica diferente de criação. A música precisa ter o formato de loop, ou seja, uma música sem fim, onde o final e começo se encaixam perfeitamente. Um jeito diferente de pensar música.

O engraçado é que criar os efeitos sonoros deu muito mais trabalho do que criar a música. A gente acha que é simples,mas quando vê, já gastou mais tempo nos “efeitinhos” do que na trilha mesmo. Por isso é bom cuidar na hora de orçar esse tipo de trabalho, pois é fácil de se enganar na estimativa de tempo gasto.

Toda programação visual do game foi criada pela Mono 3D, uma turma muito talentosa e criativa. Vale a pena conferir o trabalho deles.

Mauricio Domene

13 março 2009

Remix em vídeo

Usar loops (trechos gravados por outras pessoas) numa colagem musical não é nada novo.
Mas fazer isso a partir de vídeo garimpados no youtube, e mais, usar somente material extraido desses vídeos, isso é coisa de genio.

Agora, já seria genial somente conseguir fazer isso. Mas conseguir fazer isso com a qualidade musical como o Kutiman fez... ai não tem mais o que escrever.
Veja:



A música faz parte do projeto Thru-you, e lá dá pra ouvir outras criações dele.

Só pra ter uma dimensão melhor da complexidade do que o Kutiman fez, veja alguns vídeos de onde o material musical foi retirado:

Bateria:
TheHitman1990 (Bernard "Pretty" Purdie clip),


Guitarra:
Free Funk Guitar Lesson Inspired By James Brown


Voz e harmonica
Blues Harp & Vocals from Brian Fox of Brian Fox Reloaded

12 março 2009

Arte a serviço do business

No período em que trabalhei em agência de publicidade (6 anos, como redator) sempre ouvia acalorados debates sobre campanhas artísticas x campanhas que vendem. Precisamos pensar nos números, diziam os clientes. Hardsell, call to action e outros termos do marketês sempre estavam em pauta na hora de criar um anúncio.

Fazer algo bonito, inteligente, artístico e que sirva para a necessidade principal do seu cliente - vender - é algo muito díficil. Por isso, quando alguém acerta a mão, é preciso aplaudir.

Dizer que a PES é uma produtora de vídeos é simplificar muito. PES é um animador/diretor que desenvolveu uma linguagem própria. Daquelas que você vê um trecho é já sabe de quem é. Usando basicamente a técnica de stop-motion, ele criou uma série de curtas que ficaram famosos na internet. Você já deve ter visto aquele em que dois sofás fazem sexo no telhado de um prédio.

Mas a PES não ficou só no campo da arte, e começou a usar o seu talento para a publicidade. Abaixo dois filmes, um curta e um comercial.






Acesse o site e conheça mais.

06 março 2009

Finalmente meu novo portfólio

Depois de muita briga, finalmente consegui terminar a edição do meu novo portfólio de trilhas sonoras.

Agora só falta colocar o novo site no ar :-)




Mauricio Domene

02 março 2009

Conectar-se com Fãs + Motivo para Compra = Novo Modelo de Negócio

Ou em inglês:
Connect With Fans (CwF) + Reason To Buy (RtB) = The Business Model ($$$$)

Uma curta palestra com Michael Masnick (da Techdirt Blog/Floor64) falando sobre como Trent Reznor (do Nine Inch Nails)

Trent brigou com sua gravadora quando ao tentar inovar, deixando pen drives espalhados (escondidos) nos banheiros dos shows com músicas inéditas para que os fãs encontrassem e, obviamente, compartilhassem com outros, foi censurado por sua atitude. Gravadora e outros urubus acharam um absurdo ele fazer isso.

Isso foi em 2007

Em 2008, já fora de uma gravadora, inovou de vez, dando de graça a música que os fãs queriam, mas de forma tão engenhosa que conseguiu lucrar com isso, criando valor para o que tinha para vender. Não só isso, mas o fez de tal modo que seu disco (com as músicas que tinha dado de graça) foi o album que mais vendeu downloads na Amazon durante o ano passado.

Quer entender como é essa loucura?

Veja o vídeo:

26 fevereiro 2009

Teaser do novo album da banda 311

Vídeo com o mega produtor Bob Rock (Metallica, Aerosmith e outros) dando uma dura nos integrantes da banda 311.

Bem divertido...

25 fevereiro 2009

Músicos americanos querem receber por música tocada nas rádios

Musicians want radio stations to pay them fees

"Sheryl Crow, will.i.am, Herbie Hancock and other entertainers are asking Congress to force radio stations to pay them when their music is broadcast.

The musicians appeared Tuesday on Capitol Hill on behalf of the musicFirst Coalition to push legislation that would require radio stations to pay them royalties for when their songs are played.

Satellite radio, Internet radio and cable TV music channels already pay fees to performers and musicians, along with songwriter royalties. But commercial AM and FM radio stations do not.

The National Association of Broadcasters opposes the fee for performers. It says it puts thousands of radio jobs at risk. The association also says radio stations drive listeners to buy music."


O Brasil é um dos poucos países que pagam aos músicos direitos sobre as músicas que tocam nas rádios e tvs. Não somente os compositores das músicas, que é o direito autoral, mas aos músicos que gravara. São os chamados Direitos Conexos.

Está certo que existe uma regra perversa na distribuição desse dinheiro. O ECAD computa somente as 600 músicas mais tocadas no país num mês, e faz a distribuição do dinheiro arrecadado das rádios com base nesse ranking. Isso significa que se você gravou uma música que toca todo dia numa rádio especializada em punk-rock-gótico no interior do Mato Grosso, apesar da rádio pagar ao Ecad, sua música nunca vai entrar nesse ranking das 600 mais tocadas. Ou seja, a sua parte da receita vai parar no bolso de um Roberto Carlos da vida.

Achou muita sacanagem? Eu também. Mas não pense que nos EUA é muito diferente. Basta frequentar por pouco tempo algum forum americano onde se discute música, composição, music business, e vai ver que a coisa é complicada por lá também.

Quer ver onde mais há diferença? Um compositor de trilha sonora para cinema aqui é remunerado conforme o público que paga para assistir. Ou seja, um filme de sucesso traz uma renda extra para o compositor, além do creative fee que recebeu durante a produção da trilha.

Nos EUA isso não acontece, e em muitas ocasiões, em razão de contratos sacanas, eles não recebem nada adicional pela vendagem em DVD.

Ou seja, não estamos sozinhos nessa luta pelos direitos de autor e de executante (direitos conexos).

17 fevereiro 2009

A different way to think about creative genius

Elizabeth Gilbert, autora do best seller "Comer, Rezar, Amar", fala nesse emocionante relato sobre criatividade e medo do fracasso.

Como podemos lidar com o receio de não conseguirmos mais atingir um momento genial novamente. Como tratar com o conceito de genialidade, inspiração e sucesso.

12 fevereiro 2009

Domene internacional - shameless selfpromotion :-)

Acabei de tomar um susto ao abrir a Newsletter eMusician e me ver lá :-)

Aqui o link pra verem a newsletter completa:

eMusician

Ou um print que guardei pra posteridade:

EM cropada


Na newsletter tem o link para a pagina do MySpace:
http://www.myspace.com/domene

Bela massagem no ego ser comparado a Gustavo Santaolalla, ganhador do Oscar com Babel e Brokeback Mountain. Agora só falta a Academia me descobrir :-)


Mauricio Domene

Bairro da Pompéia - São Paulo - O Bairro do Rock

Essa semana e começo da próxima estou com pouquíssimo tempo pra postar por conta de um trabalho bacana que estou participando. Um documentário sobre o bairro da Pompéia (em São Paulo) realizado pela produtora GW.

O interessante desse assunto é que a Pompéia foi o berço do rock nacional. Se não foi O berço, com certeza foi o mais importante.

Lá nasceram as bandas Os Mutantes, Tutti Frutti e Made in Brazil, praticamente funcionando ao mesmo tempo num espaço de 2 quadras. Os irmãos Sergio Dias e Arnaldo Dias (dos Mutantes), Luis Carlini (Tuti Fruti) e os irmãos Osvaldo e Celso Vecchione (Made in Brazil) eram vizinhos.

Imagino o que o restante da vizinhança teve que aguentar de ensaio em garagens. Fora o "barulho" típico de uma banda de rock, é bem provável que com 3 bandas atuantes na mesma rua, a coincidência de ensaios em determinados horários era inevitável.

Aliás, não tinha muita escapatória: ou o cara sofria ouvindo 2 ensaios simultâneos (o que só amantes de Música Concreta conseguem suportar) ou teria que encarar ensaios sequenciais, o que aumentava o tempo que a senhora do sobrado ao lado não podia ouvir a novela na tv.

História riquíssima de detalhes divertidos.

Quando tiver algum material pronto de trilha sonora do documentário eu posto aqui.

Mauricio Domene

10 fevereiro 2009

Mais sobre música e ruído

Refletindo mais sobre a diferença, ou melhor, a divisa entre música e ruído, lembrei-me da Música Concreta, que lá no final da década de 1940 e começo de 1950 alterou para sempre os caminhos sonoros. Ainda hoje vivemos ecos do estrago que ela fez, com sua proposta muito inovadora e quebrando paradigmas há muito tempo consolidados.

O camarada responsável pelo começo da brincadeira foi o francês Pierre Schaeffer, logo seguido pelo Grupo de Pesquisa de Música Concreta (Groupe de Recherche de Musique Concrète – GRMC). Naquela época a manipulação dos ruídos e sons para criar música era feita através de gravadores de fita, invertendo-se a direção que tocavam, editando (cortando e colando, literalmente, as fitas) e outros processos que hoje soam como maluquice.

Com a popularização dos samplers e meios de edição e manipulação digital de som, o acesso a esse tipo de criação musical ficou expandida e surgiram vários artistas que empurraram o limite do ruído pra dentro da música popular, e chegando até hoje nas músicas eletrônicas.

Um desses grupos foi o alemão Kraftwerk. Nesse vídeo podemos entender um pouco do processo de criação deles e do esforço em produzir algo diferente e inovador, sempre na vanguarda.

Aqui o trailer do documentário "Kraftwerk And The Electronic Revolution"



Outro grupo que empurrou o limite além, fazendo uso de ruídos cotidianos manipulados no sampler para produzir melodias é o Art of Noise.




Aqui no Brasil temos o querido Hermeto Pascoal que nos presenteia com solos de porco, panelas e o que mais ele conseguir colocar as mãos. No disco “A música Livre de Hermeto Paschoal” (1973) ele abusou desse recurso tocando, entre outros instrumentos, porcos, gansos, perus, galinhas, patos e coelhos. Mas ele sempre abusa e fica bom. Ele pode... :-)

Aqui ele tocando Barba, Chaleira e outros "instrumentos"


E aqui playing (só em ingles mesmo pra fazer o total sentido do que ele faz) com instrumentos de dentista:


O ruído já havia tentado se infiltrar nas orquestras nos séculos passados. Tchaikovsky fez uso de canhões da obra 1812 Overture e Wagner usou um coro de bigornas na ópera "O Anel do Nibelungo"

Obvio que isso tudo iria influenciar e encontrar largo caminho na música para cinema. Só que o nome que damos a isso é o dialogo/contraponto entre trilha sonora e sound design.

09 fevereiro 2009

Carmen Miranda - 100 anos


Hoje faz 100 anos do nascimento de Carmen Miranda.

O que dizer dela sem ser repetitivo? No máximo reafirmar que sem ela a música brasileira não teria a visibilidade que tem no exterior.

Arriscaria a dizer que sem ela a bossa nova não teria tido o sucesso fora do Brasil como teve. Foi ela quem abriu a passagem para que a nossa música fosse considerada e respeitada. Apesar das bananas na cabeça :-)


Carmen Miranda - South American Way

06 fevereiro 2009

Entre a música e o ruído

Existe trilha sonora (música)

E existe efeitos sonoros (ruídos, barulhos)

Mas as vezes essa definição fica confusa e tudo se mistura. É o caso desse vídeo que faz parte da exposição "Memorial da Resistência", que fica na Estação Pinacoteca, em São Paulo (já comentei sobre outro trabalho que fiz para a mesma exposição aqui nesse post).

Para criar o impacto necessário fiz uso de samples de um piano preparado, como John Cage tornou famoso (o mesmo John Cage da peça 4'33" sobre a qual escrevi aqui). E o resultado foi essa mistura que embora pareça muito com efeitos sonoros, também tem muito de música contemporânea.

Foi um trabalho delicado porque estive o tempo todo trabalhando nesse fio de navalha que separa a música do ruído, a trilha sonora do efeito sonoro. Mas o resultado compensou.


Memorial da Resistência from Mauricio Domene on Vimeo.

05 fevereiro 2009

Artists who don't censor their own work

"Artists who don't censor their own work: Picasso, Miles Davis, Prince. They're all people who just put it out, and have almost no critical self-censorship. They say, "Let the market decide; let the world decide." You might not be the best person to judge it. "That's a kind of humility, actually: it's a mixture of arrogance, which says, "I know I'm fucking good." But a humility, which says, "I'm not the person to decide."

tradução meia boca:
"Artistas que não censuram seu próprio trabalho: Picasso, Miles Davis, Prince. Eles são pessoas que colocam pra fora e não tem praticamente auto-censura. Eles dizem: "Deixe que o mercado decida; deixe que o mundo decida." Você pode não ser a melhor pessoa para julgar. É um tipo de humildade, na verdade: é uma mistura de arrogancia que diz: "Eu sei que sou bom pra cacete." e a humildade que diz " Não sou eu quem vai decidir"

Brian Eno

04 fevereiro 2009

Before the Music Dies

"Before the Music Dies" é um documentário que coloca um spot de luz na indústria da música atual de forma reveladora, sem deixar de ser inspiradora e esperançosa.

Analisando as causas da decadencia das grandes gravadoras, traz uma visão "pé-no-chão" sobre o futuro da música e possíveis caminhos para que ela sobreviva no mercado atual.

Com depoimentos de Erci Clapton, Dave Matthews, Brandford Marsalis, Elvis Costelo, Les Paul, Erykah Badu entre outros.

Reserve um tempo para assistir. Se você tem algum interesse no assunto, vale a pena!

"Before the Music Dies" - 1h17

03 fevereiro 2009

"Faz com a boca mesmo!"

Nosso cérebro funciona por associação. Bom, pelo menos o meu. Depois de ler o post do Maurício, lembrei que um amigo tinha me emprestado um disco com versões de músicas dos Beatles.

Sim, eu sei, existem milhões deles. Até os Bee Gees já regravaram o Sgt Peppers. Mas esse disco é compilado com artistas da Blue Note, a lendária gravadora de jazz. Valia o crédito de conhecer.

Ouvi o disco e não achei nada demais. Tenho a sensação de que já ouvi todas as versões possíveis e imagináveis para as músicas do quarteto de Liverpool. Mas, no finzinho, uma grata surpresa: Bobby McFerrin (sim, aquele mesmo da Don't Worry, Be Happy) cantando 'Drive My Car'.

Procurei o vídeo algum vídeo no YouTube com essa versão mas não achei. Resolvi colocar lá eu mesmo, pra poder compartilhar aqui.



Tudo o que se ouve na faixa vem do Bobby McFerrin fazendo sons com a boca e com o corpo. É muito impressionante. O que poderia facilmente esbarrar no território do mal gosto e ficar marcado apenas por malabarismos, acaba se tornando um arranjo original e extremamente criativo.

Para entender melhor como ele faz tudo isso, vale a pena conferir esse vídeo, com uma outra canção sendo executada ao vivo.



Contei essa história toda e não expliquei o título. Nós, que trabalhamos com trilhas, por diversas vezes nos vemos em situação em que temos que 'cantar' alguma idéia. Explico. Você está em uma reunião discutindo a produção de uma trilha sonora para um filme, por exemplo. Lendo o roteiro, discutindo com o diretor, você acredita que um tango com uma batida eletrônica cai muito bem para aquela cena. Mas, o diretor não consegue imaginar como ficaria tal resultado. Eis que alguém sugere: "faz aí, com a boca mesmo."

É nessas horas em que eu penso em convidar o Bobby para ser meu sócio.

Mais música no telhado

Parece que telhados exercem uma certa atração em músicos :-)

Aqui Jacob Moon toca "Subdivision" do Rush, em cima do telhado (dica do Beto Rich). Bela locação escolhida, ainda mais com o pôr do sol.

O detalhe é que ele toca essa versão sozinho, mas com um bocadinho de apetrechos tecnológicos que fazem com que o violão sirva de acompanhamento para o solo de guitarra.


Ele usa um Lexicon JamMan looper, que funciona como um gravador mas que tem a capacidade de criar um loop, transformar uma frase ou um trecho da música que você toca (e grava) nele em algo circular, que emenda o final da gravação com o seu início, fazendo uma cama musical sem fim.

Veja que é mais simples de entender do que eu ficar descrevendo:





Agora, já descendo do telhado mas continuando no assunto Loopers, ou artistas que fazem uso excelente desse tipo de tecnologia, quero apresentar-lhes Imogen Heap, com a deliciosa e delicada "Just for Now":

30 janeiro 2009

Os Beatles subiram no telhado

30 de janeiro de 1969 (40 anos atrás) foi o dia da última apresentação ao vivo dos Beatles.

Embora não tenha sido concebido para ser um concerto público, o "Rooftop Concert", como ficou conhecido, acabou sendo uma das mais famosas apresentações dos Beatles, se não pelo inusitado do lugar, com certeza por fazer parte do filme e do último álbum lançado da banda: "Let it Be".

Os Beatles iriam fazer um documentário com eles produzindo um programa de TV e compondo algumas canções do seu novo álbum, que marcaria um retorno aos dias de rock da banda.

O projeto começou no estúdio Twickenham no dia 2 de janeiro de 1969, mas os problemas de relacionamento que havia dentro da banda logo mostraram a cara: George Harrison saiu depois de 8 dias reclamando das constantes criticas de Paul McCartney. Mas retornou na semana seguinte.

A ideia do programa de tv foi abandonada, pois eles não conseguiam concordar aobre o local de filmagem. Chegaram a pensar em gravar em outro continente (África), em clubes pequenos, num asilo...

No fim concordaram em realizar um concerto surpresa no teto da Apple (a gravadora dos Beatles, não a fabricante de computadores).

A apresentação (e o filme) encerram com a chegada da policia que pôs fim a farra. O set list desse dia foi: Get Back, Dont´t Let me Down, I´ve Got a Feeling, One After 909 e Dig a Pony. Também tocaram um pequeno ensaio de I Want You (She´s So Heavy), que ficou de fora do filme e do album porque o engenheiro de gravação (que era ninguém menos que Alan Parson, o mesmo do Alan Parsons Project) estava trocando a fita.

O Filme ganhou o Oscar de melhor trilha em 13 de maio de 1970, mas àquela altura o sonho havia acabado: os Beatles tinham se separado.


Parte1



Parte 2



Parte3



A formação da banda nesse dia foi um pouco diferente. Incluiu Billy Preston nos teclados. Ele já havia participado em outros albuns dos Beatles, mas foi o primeiro "show" deles juntos. A importancia de Billy Preston é medida pelo crédito da música "Get Back" que aparece como "the Beatles with Billy Preston". Única vez na discografia dos Beatles que isso acontece.

Aqui Billy Preston presta homenagem ao seu amigo George Harrison (junto com Eric Clapton e outros caras fraquinhos):

Concerto de trator - nova ortografia?

Não, não... nesse caso é concerto mesmo, com C.
Concerto para trator, 2 guitarras e contrabaixo.


28 janeiro 2009

Música em diversos formatos

Quando comecei na carreira de músico, o unico caminho que eu enxergava era a indústria de discos. Produzi, escrevi arranjos e gravei muitos discos (quando ainda eram pretos, grandes e de plástico).

Depois a vida me apresentou o universo dos jingles e das trilhas de publicidade. E fiz muito isso também (quando os jingles existiam em fitas k7 e as trilhas viajavam em DATs ou fitas de rolo).

Mas como esse post está começando a ficar com cheiro de poeira e eu tenho rinite alérgica, vamos para o tempo que a gente conhece os artistas interessantes pelo Youtube e MySpace e não mais pelas rádios e tvs.

Por essas coisas da vida que a gente não consegue explicar, mas simplesmente vai acompanhando a correnteza, meu universo de trabalho tem estado cada vez mais ligado a formatos diferentes de música, suportes curiosos para áudio, lugares inesperados para se ouvir sons.

Acabei de receber o convite para participar de um trabalho de audiovisual com interatividade que será mostrado numa carreta de caminhão (de 3m x 14m) itinerante, que percorrerá várias cidades com a mostra.

Semana passada foi inaugurado o espaço "Memorial da Resistencia", com várias salas com música e sonoplastia minha. Uma exposição fixa ou um tipo de museu.

Já sonorizei brinquedo (um robô que fala e conversa com a criança).
Sonoplastia para site.
Exposição de arte na Bienal de São Paulo.

Engraçado que é o tipo de carreira que não dá pra ser planejada. Quando o telefone toca eu nunca sei que tipo de trabalho alguém vai pedir, muito menos onde ele será usado.

E isso gera uma gama de desafios permanentes (e mutantes).

Som surround dentro de um container? Sem problema. Um corredor de telas com mais de 15m de comprimento, com 6 canais de audio em cada lado, com som sincronizado com a imagem que atravessa as telas? Ok, é possível fazer. Um falante pendurado no teto em cima da tela circular que fica no chão? Ok, só preciso fazer algumas modificações na mixagem. Uma sala com tela nas 4 paredes, e uma caixa atrás de cada tela? E vamos ressuscitar o som quadrifônico que havia morrido na decada de 70.

Se antes eu perguntava "onde vai passar isso" e a resposta era sempre: "rádio" ou "tv"; agora eu tenho que perguntar: como é o lugar onde isso vai ser ouvido, se é que é um lugar definido; ou como é o equipamento que vai reproduzir esse audio.

Citei acima que hoje é o tempo que a gente não descobre mais artistas novos e legais na rádio ou tv. Pois acabei de conhecer pelo Youtube um cara muito bom, que me foi recomendado pelo @comunicadores no Twitter. Compartilho através do blog com vocês:

Her Morning Elegance / Oren Lavie

27 janeiro 2009

Uma boa desculpa para comprar um iPhone

O pessoal que é da velha guarda às vezes sente falta de, na hora da mixagem, mexer de verdade com os botões. Aumentar e abaixar o volume no dedo, não no mouse. Dizem que, com a digitalização do áudio, a mixagem perdeu muito o charme na hora de ser feita.

Pensando nisso, a empresa norte-americana Far Out Labs lançou um aplicativo para iPhone, focado nos usuários de Pro Tools.

Com ele, você controla toda a mixagem em que está trabalhando através do iPhone.



Esqueça o mouse, agora você pode controlar toda sua sessão através do iPhone. Boa desculpa para comprá-lo, não?

26 janeiro 2009

Microsoft Songsmith: um karaokê ao contrário.

Primeiro você visitava um bar, tomava uns drinks e alguma coragem, e depois, aventurava-se no sonho de ser um cantor. Não importa qual o estilo: música italiana, japonesa, rock, pop, sertanejo. A lista é infinta.

Agora, a Microsoft subverteu a ordem do karaokê, lançando um programa chamado Songsmith. A idéia é bem legal: você canta e grava, atraves de um microfone o que quiser. Depois, o programa cria um acompanhamento.

Simples e indolor.

Já o resultado, bem, esse nem sempre é interessante. Algumas pessoas começaram a lançar na internet músicas famosas em releituras feitas no Songsmith. Veja como ficou Roxxane, o clássico do Police:



Se você quiser baixar o programa e fazer um teste gratuito, é só ir para a página http://research.microsoft.com/songsmith

Libere o cantor que há em você.

24 janeiro 2009

Dops reabre hoje como Memorial da Resistência

Símbolo da tortura vira museu que resgata história dos presos políticos

"Um símbolo da tortura no País foi reformado e reabre hoje como museu para homenagear a resistência dos presos à ditadura. O antigo prédio de tijolos vermelhos do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), no Largo General Osório, centro de São Paulo, teve quatro celas reformadas para abrigar o Memorial da Resistência, que homenageia as vítimas e resgata o período em que lá funcionou, de 1935 a 1984, a polícia política das ditaduras getulista e militar.

De acordo com o diretor da Pinacoteca, Marcelo Araújo, a quem está subordinado o projeto, as celas lembram a trajetória do Dops, fundado em 1924 para combater os movimentos sociais considerados perigosos à ordem nacional, como o anarquismo e o sindicalismo. Uma das celas foi reconstituída como nos tempos da repressão, enquanto nas outras há uma maquete, além de fotos e gravações de depoimentos."

fonte: Estadão

Final de 2008 e começo desse ano tive o privilégio de trabalhar nesse projeto do Memorial da Resistência. Compus trilha sonora e sonoplastia para 4 salas dessa exposição.

Exposições, museus e instalações são trabalhos muito diferentes e cheio de possibilidades. As pessoas são abertas a novidades e soluções criativas, até mesmo coisas mais estranhas que nunca seriam aprovadas fora do contexto de uma exposição onde o foco não é um produto comercial.

Desafiador e faz a gente pensar fora da caixinha de soluções já conhecidas.

Uma dessas salas do Memorial da Resistência traz depoimentos de pessoas que estiveram presas lá. Você entra numa das celas, luz baixa, e veste um fone de ouvido. Um áudio documentário. Nada de imagens, somente o som contando a história.

Aqui no Brasil os áudio documentários ainda são quase inexplorados, mas é um formato mais difundido na Europa.

Vista os fones, separe uns 15 minutos para mergulhar nesse universo e boa viagem:


22 janeiro 2009

Oscar nominees 2009



Indicados para o Oscar de Melhor Trilha Sonora:

THE CURIOUS CASE OF BENJAMIN BUTTON

Alexandre Desplat

DEFIANCE
James Newton Howard

MILK
Danny Elfman

SLUMDOG MILLIONAIRE
A.R. Rahman

WALL-E
Thomas Newman



Indicados para o Oscar de Melhor Canção:

WALL-E
"Down to Earth"
Music by Peter Gabriel and Thomas Newman; Lyric by Peter Gabriel

SLUMDOG MILLIONAIRE
"Jai Ho"
Music by A.R. Rahman; Lyric by Gulzar

SLUMDOG MILLIONAIRE
"O Saya"
Music by A.R. Rahman; Lyric by A.R. Rahman and Maya Arulpragasam