30 janeiro 2009

Os Beatles subiram no telhado

30 de janeiro de 1969 (40 anos atrás) foi o dia da última apresentação ao vivo dos Beatles.

Embora não tenha sido concebido para ser um concerto público, o "Rooftop Concert", como ficou conhecido, acabou sendo uma das mais famosas apresentações dos Beatles, se não pelo inusitado do lugar, com certeza por fazer parte do filme e do último álbum lançado da banda: "Let it Be".

Os Beatles iriam fazer um documentário com eles produzindo um programa de TV e compondo algumas canções do seu novo álbum, que marcaria um retorno aos dias de rock da banda.

O projeto começou no estúdio Twickenham no dia 2 de janeiro de 1969, mas os problemas de relacionamento que havia dentro da banda logo mostraram a cara: George Harrison saiu depois de 8 dias reclamando das constantes criticas de Paul McCartney. Mas retornou na semana seguinte.

A ideia do programa de tv foi abandonada, pois eles não conseguiam concordar aobre o local de filmagem. Chegaram a pensar em gravar em outro continente (África), em clubes pequenos, num asilo...

No fim concordaram em realizar um concerto surpresa no teto da Apple (a gravadora dos Beatles, não a fabricante de computadores).

A apresentação (e o filme) encerram com a chegada da policia que pôs fim a farra. O set list desse dia foi: Get Back, Dont´t Let me Down, I´ve Got a Feeling, One After 909 e Dig a Pony. Também tocaram um pequeno ensaio de I Want You (She´s So Heavy), que ficou de fora do filme e do album porque o engenheiro de gravação (que era ninguém menos que Alan Parson, o mesmo do Alan Parsons Project) estava trocando a fita.

O Filme ganhou o Oscar de melhor trilha em 13 de maio de 1970, mas àquela altura o sonho havia acabado: os Beatles tinham se separado.


Parte1



Parte 2



Parte3



A formação da banda nesse dia foi um pouco diferente. Incluiu Billy Preston nos teclados. Ele já havia participado em outros albuns dos Beatles, mas foi o primeiro "show" deles juntos. A importancia de Billy Preston é medida pelo crédito da música "Get Back" que aparece como "the Beatles with Billy Preston". Única vez na discografia dos Beatles que isso acontece.

Aqui Billy Preston presta homenagem ao seu amigo George Harrison (junto com Eric Clapton e outros caras fraquinhos):

Concerto de trator - nova ortografia?

Não, não... nesse caso é concerto mesmo, com C.
Concerto para trator, 2 guitarras e contrabaixo.


28 janeiro 2009

Música em diversos formatos

Quando comecei na carreira de músico, o unico caminho que eu enxergava era a indústria de discos. Produzi, escrevi arranjos e gravei muitos discos (quando ainda eram pretos, grandes e de plástico).

Depois a vida me apresentou o universo dos jingles e das trilhas de publicidade. E fiz muito isso também (quando os jingles existiam em fitas k7 e as trilhas viajavam em DATs ou fitas de rolo).

Mas como esse post está começando a ficar com cheiro de poeira e eu tenho rinite alérgica, vamos para o tempo que a gente conhece os artistas interessantes pelo Youtube e MySpace e não mais pelas rádios e tvs.

Por essas coisas da vida que a gente não consegue explicar, mas simplesmente vai acompanhando a correnteza, meu universo de trabalho tem estado cada vez mais ligado a formatos diferentes de música, suportes curiosos para áudio, lugares inesperados para se ouvir sons.

Acabei de receber o convite para participar de um trabalho de audiovisual com interatividade que será mostrado numa carreta de caminhão (de 3m x 14m) itinerante, que percorrerá várias cidades com a mostra.

Semana passada foi inaugurado o espaço "Memorial da Resistencia", com várias salas com música e sonoplastia minha. Uma exposição fixa ou um tipo de museu.

Já sonorizei brinquedo (um robô que fala e conversa com a criança).
Sonoplastia para site.
Exposição de arte na Bienal de São Paulo.

Engraçado que é o tipo de carreira que não dá pra ser planejada. Quando o telefone toca eu nunca sei que tipo de trabalho alguém vai pedir, muito menos onde ele será usado.

E isso gera uma gama de desafios permanentes (e mutantes).

Som surround dentro de um container? Sem problema. Um corredor de telas com mais de 15m de comprimento, com 6 canais de audio em cada lado, com som sincronizado com a imagem que atravessa as telas? Ok, é possível fazer. Um falante pendurado no teto em cima da tela circular que fica no chão? Ok, só preciso fazer algumas modificações na mixagem. Uma sala com tela nas 4 paredes, e uma caixa atrás de cada tela? E vamos ressuscitar o som quadrifônico que havia morrido na decada de 70.

Se antes eu perguntava "onde vai passar isso" e a resposta era sempre: "rádio" ou "tv"; agora eu tenho que perguntar: como é o lugar onde isso vai ser ouvido, se é que é um lugar definido; ou como é o equipamento que vai reproduzir esse audio.

Citei acima que hoje é o tempo que a gente não descobre mais artistas novos e legais na rádio ou tv. Pois acabei de conhecer pelo Youtube um cara muito bom, que me foi recomendado pelo @comunicadores no Twitter. Compartilho através do blog com vocês:

Her Morning Elegance / Oren Lavie

27 janeiro 2009

Uma boa desculpa para comprar um iPhone

O pessoal que é da velha guarda às vezes sente falta de, na hora da mixagem, mexer de verdade com os botões. Aumentar e abaixar o volume no dedo, não no mouse. Dizem que, com a digitalização do áudio, a mixagem perdeu muito o charme na hora de ser feita.

Pensando nisso, a empresa norte-americana Far Out Labs lançou um aplicativo para iPhone, focado nos usuários de Pro Tools.

Com ele, você controla toda a mixagem em que está trabalhando através do iPhone.



Esqueça o mouse, agora você pode controlar toda sua sessão através do iPhone. Boa desculpa para comprá-lo, não?

26 janeiro 2009

Microsoft Songsmith: um karaokê ao contrário.

Primeiro você visitava um bar, tomava uns drinks e alguma coragem, e depois, aventurava-se no sonho de ser um cantor. Não importa qual o estilo: música italiana, japonesa, rock, pop, sertanejo. A lista é infinta.

Agora, a Microsoft subverteu a ordem do karaokê, lançando um programa chamado Songsmith. A idéia é bem legal: você canta e grava, atraves de um microfone o que quiser. Depois, o programa cria um acompanhamento.

Simples e indolor.

Já o resultado, bem, esse nem sempre é interessante. Algumas pessoas começaram a lançar na internet músicas famosas em releituras feitas no Songsmith. Veja como ficou Roxxane, o clássico do Police:



Se você quiser baixar o programa e fazer um teste gratuito, é só ir para a página http://research.microsoft.com/songsmith

Libere o cantor que há em você.

24 janeiro 2009

Dops reabre hoje como Memorial da Resistência

Símbolo da tortura vira museu que resgata história dos presos políticos

"Um símbolo da tortura no País foi reformado e reabre hoje como museu para homenagear a resistência dos presos à ditadura. O antigo prédio de tijolos vermelhos do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), no Largo General Osório, centro de São Paulo, teve quatro celas reformadas para abrigar o Memorial da Resistência, que homenageia as vítimas e resgata o período em que lá funcionou, de 1935 a 1984, a polícia política das ditaduras getulista e militar.

De acordo com o diretor da Pinacoteca, Marcelo Araújo, a quem está subordinado o projeto, as celas lembram a trajetória do Dops, fundado em 1924 para combater os movimentos sociais considerados perigosos à ordem nacional, como o anarquismo e o sindicalismo. Uma das celas foi reconstituída como nos tempos da repressão, enquanto nas outras há uma maquete, além de fotos e gravações de depoimentos."

fonte: Estadão

Final de 2008 e começo desse ano tive o privilégio de trabalhar nesse projeto do Memorial da Resistência. Compus trilha sonora e sonoplastia para 4 salas dessa exposição.

Exposições, museus e instalações são trabalhos muito diferentes e cheio de possibilidades. As pessoas são abertas a novidades e soluções criativas, até mesmo coisas mais estranhas que nunca seriam aprovadas fora do contexto de uma exposição onde o foco não é um produto comercial.

Desafiador e faz a gente pensar fora da caixinha de soluções já conhecidas.

Uma dessas salas do Memorial da Resistência traz depoimentos de pessoas que estiveram presas lá. Você entra numa das celas, luz baixa, e veste um fone de ouvido. Um áudio documentário. Nada de imagens, somente o som contando a história.

Aqui no Brasil os áudio documentários ainda são quase inexplorados, mas é um formato mais difundido na Europa.

Vista os fones, separe uns 15 minutos para mergulhar nesse universo e boa viagem:


22 janeiro 2009

Oscar nominees 2009



Indicados para o Oscar de Melhor Trilha Sonora:

THE CURIOUS CASE OF BENJAMIN BUTTON

Alexandre Desplat

DEFIANCE
James Newton Howard

MILK
Danny Elfman

SLUMDOG MILLIONAIRE
A.R. Rahman

WALL-E
Thomas Newman



Indicados para o Oscar de Melhor Canção:

WALL-E
"Down to Earth"
Music by Peter Gabriel and Thomas Newman; Lyric by Peter Gabriel

SLUMDOG MILLIONAIRE
"Jai Ho"
Music by A.R. Rahman; Lyric by Gulzar

SLUMDOG MILLIONAIRE
"O Saya"
Music by A.R. Rahman; Lyric by A.R. Rahman and Maya Arulpragasam

21 janeiro 2009

Bach e o açougueiro

"Bach era um modesto organista numa cidade do interior. nunca teve fama ou reconhecimento. Um dos seus patrões se refere a ele, numa carta, como "músico medíocre". Tinha por obrigação semanal compor peças sacras para a liturgia do culto luterano. Suas composições, uma vez executadas, eram esquecidas e guardadas em canastras e estantes em algum quarto da igreja. Surpreendido pela morte no meio da composição da "Arte da Fuga", ninguém ligou para o que deixara escrito. Seus manuscritos foram vendidos para um açougueiro que os usava para embrulhar carne. Mendelssohn, por acaso, foi comprar carne no tal açougueiro. Mas ele logo se desinteressou da carne, assombrado com o que via escrito no papel em que ela viria embrulhada. E foi assim que Bach foi descoberto no lugar mais deprimente do mundo, embrulhando carne num açougue. Graças a deus que Mendelssohn não era vegetariano!"

Extraido do livro "O amor que acende a lua" de Rubem Alves.

20 janeiro 2009

Morre o compositor Candeias no Rio

"Ele foi autor de sucessos como ‘Sassaricando’ e ‘Lata D’água na Cabeça’.
Velório acontece no cemitério São João Batista e o corpo será cremado.

O compositor Joaquim Antônio Candeias Júnior, de 85 anos, morreu na noite desta segunda-feira (19), no Rio. Ele foi o autor de sucessos como ‘ Sassaricando’ e ‘Lata D’água na Cabeça’.

Segundo a família, Candeias passou mal enquanto dirigia. Ele foi levado para um hospital em Copacabana com edema pulmonar e não resistiu.

O velório é realizado no cemitério São João Batista. O corpo do compositor será cremado no cemitério do Caju. Candeias deixa a esposa, dois filhos e cinco netas."

fonte: G1


Sassaricando


Lata Dágua na Cabeça




Daquelas músicas que fazem tanto parte do nosso universo sonoro que a gente até esquece que alguém é o compositor.
Parecem que elas sempre existiram...
Um gênio!

19 janeiro 2009

Samples e Mashups

Sample vem do inglês: amostra

Em música significa gravar uma pequena amostra (pode ser de um único instrumento ou de uma música completa) e usar em outro contexto.

Fazemos isso diariamente na criação de trilhas sonoras quando usamos sons de instrumentos que não temos disponível no estúdio, seja por razões de limitação de verba, como o uso de uma grande orquestra, seja por não ter tempo ou o instrumento disponível, como uma harpa, um baixo elétrico, etc.

Os DJs usam muito os samples de músicas completas, quando fazem uma gravação em cima de uma batida que foi gravada em outro disco ou uma frase de metais de outro artista, etc.

Mashup, do inglês: não temos tradução para isso :-)
Eu diria que a melhor tradução é "uma mistureba".

Mashup musical é a técnica que pode ser entendida como pegar uma música e misturá-la com outra, formando assim uma terceira como produto final. Como complicação, as 2 músicas tem que ter o mesmo bpm (andamento) e a mesma tonalidade. Fora as complicações de fazer as harmonias se tornarem compatíveis.

Mashup no wikipedia

O termo pode ser aplicado às artes visuais, programação, etc.

Aqui um exemplo bacana onde o Mashup acontece na música e no vídeo.

Beyouncé x Andy Griffith Show

Primeiro a Beyouncé solo:




Agora a abertura do Andy Griffith Show



E como ficou o Mashup Beyouncé x Andy Griffith Show

17 janeiro 2009

Música Improvável

Beck tocando "Clap Hands" ao vivo no programa SNL.
Um violão muito safado e uns caras batendo talheres na mesa. Simplista demais minha explicação, mas é ai que está a graça (demora para carregar por causa da qualidade alta do vídeo - aguarde que vale a pena).





Claro que isso me lembrou Dona Edith do Prato



Surpresa triste. Fui buscar mais informação sobre D. Edith do Prato para colocar aqui, e acabei descobrindo que ela faleceu dia 09 de janeiro aos 92 anos.

"Edith Oliveira Nogueira, mais conhecida por Edith do Prato, nasceu em Santo Amaro da Purificação, BA em 1916.
Cantora, percussionista e festeira inveterada, Edith é hoje reverenciada como uma das riquezas da cultura baiana e grande dama do samba de roda do recôncavo. Começou sua trajetória artística como cantora amadora em sua terra natal. Era sempre convidada a tocar em aniversários e carurus. O pai ao perceber a alegria e satisfação da então menina permitia. Foram nas festas que conheceu tanto o primeiro quanto o segundo marido (ambos já mortos).
Com timbre peculiar, entoa samba-de-roda como ninguém, raspa a faca no prato com maestria, numa cadência tão peculiar que esta prática lhe valeu o nome artístico.
Sua estréia artística ocorreu no início dos anos de 1970 quando os cantores e compositores César e Roberto Mendes a levaram para participar com eles em um espetáculo em Feira de Santana (BA). A coroação do seu talento aconteceria anos depois quando no teatro Castro Alves, em Salvador, BA, dividiu o palco e os aplausos com Caetano Veloso (de quem foi ama de leite), Chico Buarque e MPB4.
Dona Edith do Prato, com sua alegria, paixão pelas festas e sambas-de-roda, é uma das artistas baianas que inscreveu a cidade de Santo Amaro no mapa cultural musical da Bahia."

fonte: site Mulher 500 anos atrás dos panos

03 janeiro 2009

Herbie Hancock e Corinne Bailey Rae - River



Delicadeza.

Ver o Herbie Hancock tocando essa canção dá a nítida impressão que ele está mexendo num castelo de cartas de baralho. De tão delicado, se tocar no lugar errado ou de forma um pouco mais pesada, sem cuidado, tudo pode desmoronar.

Pudera: acompanhando a Corinne Bailey, só com delicadeza. O jeito dela cantar constrói o castelo de cartas. Ouça sem esbarrar em nada, por favor :-)

Ps: Aqui nesse link dá pra ouvir a versão em High Quality, som estéreo. Não consigo postar ele no blog nessa versão com audio melhor. Se estiver ouvindo num som bom ou em fones de ouvido, recomendo essa versão.

http://www.youtube.com/watch?v=TazdEF9vIAE&fmt=18

02 janeiro 2009

O Sound Designer de Wall-E (Ben Burtt) - Update

Update do post sobre a animação Wall-E

O vídeo-documentário havia saido do ar e agora eu consegui encontra-lo em outro site.
Pra quem ainda não tinha visto, vale a pena:

O Sound Designer de Wall-E (Ben Burtt)