21 janeiro 2009

Bach e o açougueiro

"Bach era um modesto organista numa cidade do interior. nunca teve fama ou reconhecimento. Um dos seus patrões se refere a ele, numa carta, como "músico medíocre". Tinha por obrigação semanal compor peças sacras para a liturgia do culto luterano. Suas composições, uma vez executadas, eram esquecidas e guardadas em canastras e estantes em algum quarto da igreja. Surpreendido pela morte no meio da composição da "Arte da Fuga", ninguém ligou para o que deixara escrito. Seus manuscritos foram vendidos para um açougueiro que os usava para embrulhar carne. Mendelssohn, por acaso, foi comprar carne no tal açougueiro. Mas ele logo se desinteressou da carne, assombrado com o que via escrito no papel em que ela viria embrulhada. E foi assim que Bach foi descoberto no lugar mais deprimente do mundo, embrulhando carne num açougue. Graças a deus que Mendelssohn não era vegetariano!"

Extraido do livro "O amor que acende a lua" de Rubem Alves.

Nenhum comentário: