26 fevereiro 2009

Teaser do novo album da banda 311

Vídeo com o mega produtor Bob Rock (Metallica, Aerosmith e outros) dando uma dura nos integrantes da banda 311.

Bem divertido...

25 fevereiro 2009

Músicos americanos querem receber por música tocada nas rádios

Musicians want radio stations to pay them fees

"Sheryl Crow, will.i.am, Herbie Hancock and other entertainers are asking Congress to force radio stations to pay them when their music is broadcast.

The musicians appeared Tuesday on Capitol Hill on behalf of the musicFirst Coalition to push legislation that would require radio stations to pay them royalties for when their songs are played.

Satellite radio, Internet radio and cable TV music channels already pay fees to performers and musicians, along with songwriter royalties. But commercial AM and FM radio stations do not.

The National Association of Broadcasters opposes the fee for performers. It says it puts thousands of radio jobs at risk. The association also says radio stations drive listeners to buy music."


O Brasil é um dos poucos países que pagam aos músicos direitos sobre as músicas que tocam nas rádios e tvs. Não somente os compositores das músicas, que é o direito autoral, mas aos músicos que gravara. São os chamados Direitos Conexos.

Está certo que existe uma regra perversa na distribuição desse dinheiro. O ECAD computa somente as 600 músicas mais tocadas no país num mês, e faz a distribuição do dinheiro arrecadado das rádios com base nesse ranking. Isso significa que se você gravou uma música que toca todo dia numa rádio especializada em punk-rock-gótico no interior do Mato Grosso, apesar da rádio pagar ao Ecad, sua música nunca vai entrar nesse ranking das 600 mais tocadas. Ou seja, a sua parte da receita vai parar no bolso de um Roberto Carlos da vida.

Achou muita sacanagem? Eu também. Mas não pense que nos EUA é muito diferente. Basta frequentar por pouco tempo algum forum americano onde se discute música, composição, music business, e vai ver que a coisa é complicada por lá também.

Quer ver onde mais há diferença? Um compositor de trilha sonora para cinema aqui é remunerado conforme o público que paga para assistir. Ou seja, um filme de sucesso traz uma renda extra para o compositor, além do creative fee que recebeu durante a produção da trilha.

Nos EUA isso não acontece, e em muitas ocasiões, em razão de contratos sacanas, eles não recebem nada adicional pela vendagem em DVD.

Ou seja, não estamos sozinhos nessa luta pelos direitos de autor e de executante (direitos conexos).

17 fevereiro 2009

A different way to think about creative genius

Elizabeth Gilbert, autora do best seller "Comer, Rezar, Amar", fala nesse emocionante relato sobre criatividade e medo do fracasso.

Como podemos lidar com o receio de não conseguirmos mais atingir um momento genial novamente. Como tratar com o conceito de genialidade, inspiração e sucesso.

12 fevereiro 2009

Domene internacional - shameless selfpromotion :-)

Acabei de tomar um susto ao abrir a Newsletter eMusician e me ver lá :-)

Aqui o link pra verem a newsletter completa:

eMusician

Ou um print que guardei pra posteridade:

EM cropada


Na newsletter tem o link para a pagina do MySpace:
http://www.myspace.com/domene

Bela massagem no ego ser comparado a Gustavo Santaolalla, ganhador do Oscar com Babel e Brokeback Mountain. Agora só falta a Academia me descobrir :-)


Mauricio Domene

Bairro da Pompéia - São Paulo - O Bairro do Rock

Essa semana e começo da próxima estou com pouquíssimo tempo pra postar por conta de um trabalho bacana que estou participando. Um documentário sobre o bairro da Pompéia (em São Paulo) realizado pela produtora GW.

O interessante desse assunto é que a Pompéia foi o berço do rock nacional. Se não foi O berço, com certeza foi o mais importante.

Lá nasceram as bandas Os Mutantes, Tutti Frutti e Made in Brazil, praticamente funcionando ao mesmo tempo num espaço de 2 quadras. Os irmãos Sergio Dias e Arnaldo Dias (dos Mutantes), Luis Carlini (Tuti Fruti) e os irmãos Osvaldo e Celso Vecchione (Made in Brazil) eram vizinhos.

Imagino o que o restante da vizinhança teve que aguentar de ensaio em garagens. Fora o "barulho" típico de uma banda de rock, é bem provável que com 3 bandas atuantes na mesma rua, a coincidência de ensaios em determinados horários era inevitável.

Aliás, não tinha muita escapatória: ou o cara sofria ouvindo 2 ensaios simultâneos (o que só amantes de Música Concreta conseguem suportar) ou teria que encarar ensaios sequenciais, o que aumentava o tempo que a senhora do sobrado ao lado não podia ouvir a novela na tv.

História riquíssima de detalhes divertidos.

Quando tiver algum material pronto de trilha sonora do documentário eu posto aqui.

Mauricio Domene

10 fevereiro 2009

Mais sobre música e ruído

Refletindo mais sobre a diferença, ou melhor, a divisa entre música e ruído, lembrei-me da Música Concreta, que lá no final da década de 1940 e começo de 1950 alterou para sempre os caminhos sonoros. Ainda hoje vivemos ecos do estrago que ela fez, com sua proposta muito inovadora e quebrando paradigmas há muito tempo consolidados.

O camarada responsável pelo começo da brincadeira foi o francês Pierre Schaeffer, logo seguido pelo Grupo de Pesquisa de Música Concreta (Groupe de Recherche de Musique Concrète – GRMC). Naquela época a manipulação dos ruídos e sons para criar música era feita através de gravadores de fita, invertendo-se a direção que tocavam, editando (cortando e colando, literalmente, as fitas) e outros processos que hoje soam como maluquice.

Com a popularização dos samplers e meios de edição e manipulação digital de som, o acesso a esse tipo de criação musical ficou expandida e surgiram vários artistas que empurraram o limite do ruído pra dentro da música popular, e chegando até hoje nas músicas eletrônicas.

Um desses grupos foi o alemão Kraftwerk. Nesse vídeo podemos entender um pouco do processo de criação deles e do esforço em produzir algo diferente e inovador, sempre na vanguarda.

Aqui o trailer do documentário "Kraftwerk And The Electronic Revolution"



Outro grupo que empurrou o limite além, fazendo uso de ruídos cotidianos manipulados no sampler para produzir melodias é o Art of Noise.




Aqui no Brasil temos o querido Hermeto Pascoal que nos presenteia com solos de porco, panelas e o que mais ele conseguir colocar as mãos. No disco “A música Livre de Hermeto Paschoal” (1973) ele abusou desse recurso tocando, entre outros instrumentos, porcos, gansos, perus, galinhas, patos e coelhos. Mas ele sempre abusa e fica bom. Ele pode... :-)

Aqui ele tocando Barba, Chaleira e outros "instrumentos"


E aqui playing (só em ingles mesmo pra fazer o total sentido do que ele faz) com instrumentos de dentista:


O ruído já havia tentado se infiltrar nas orquestras nos séculos passados. Tchaikovsky fez uso de canhões da obra 1812 Overture e Wagner usou um coro de bigornas na ópera "O Anel do Nibelungo"

Obvio que isso tudo iria influenciar e encontrar largo caminho na música para cinema. Só que o nome que damos a isso é o dialogo/contraponto entre trilha sonora e sound design.

09 fevereiro 2009

Carmen Miranda - 100 anos


Hoje faz 100 anos do nascimento de Carmen Miranda.

O que dizer dela sem ser repetitivo? No máximo reafirmar que sem ela a música brasileira não teria a visibilidade que tem no exterior.

Arriscaria a dizer que sem ela a bossa nova não teria tido o sucesso fora do Brasil como teve. Foi ela quem abriu a passagem para que a nossa música fosse considerada e respeitada. Apesar das bananas na cabeça :-)


Carmen Miranda - South American Way

06 fevereiro 2009

Entre a música e o ruído

Existe trilha sonora (música)

E existe efeitos sonoros (ruídos, barulhos)

Mas as vezes essa definição fica confusa e tudo se mistura. É o caso desse vídeo que faz parte da exposição "Memorial da Resistência", que fica na Estação Pinacoteca, em São Paulo (já comentei sobre outro trabalho que fiz para a mesma exposição aqui nesse post).

Para criar o impacto necessário fiz uso de samples de um piano preparado, como John Cage tornou famoso (o mesmo John Cage da peça 4'33" sobre a qual escrevi aqui). E o resultado foi essa mistura que embora pareça muito com efeitos sonoros, também tem muito de música contemporânea.

Foi um trabalho delicado porque estive o tempo todo trabalhando nesse fio de navalha que separa a música do ruído, a trilha sonora do efeito sonoro. Mas o resultado compensou.


Memorial da Resistência from Mauricio Domene on Vimeo.

05 fevereiro 2009

Artists who don't censor their own work

"Artists who don't censor their own work: Picasso, Miles Davis, Prince. They're all people who just put it out, and have almost no critical self-censorship. They say, "Let the market decide; let the world decide." You might not be the best person to judge it. "That's a kind of humility, actually: it's a mixture of arrogance, which says, "I know I'm fucking good." But a humility, which says, "I'm not the person to decide."

tradução meia boca:
"Artistas que não censuram seu próprio trabalho: Picasso, Miles Davis, Prince. Eles são pessoas que colocam pra fora e não tem praticamente auto-censura. Eles dizem: "Deixe que o mercado decida; deixe que o mundo decida." Você pode não ser a melhor pessoa para julgar. É um tipo de humildade, na verdade: é uma mistura de arrogancia que diz: "Eu sei que sou bom pra cacete." e a humildade que diz " Não sou eu quem vai decidir"

Brian Eno

04 fevereiro 2009

Before the Music Dies

"Before the Music Dies" é um documentário que coloca um spot de luz na indústria da música atual de forma reveladora, sem deixar de ser inspiradora e esperançosa.

Analisando as causas da decadencia das grandes gravadoras, traz uma visão "pé-no-chão" sobre o futuro da música e possíveis caminhos para que ela sobreviva no mercado atual.

Com depoimentos de Erci Clapton, Dave Matthews, Brandford Marsalis, Elvis Costelo, Les Paul, Erykah Badu entre outros.

Reserve um tempo para assistir. Se você tem algum interesse no assunto, vale a pena!

"Before the Music Dies" - 1h17

03 fevereiro 2009

"Faz com a boca mesmo!"

Nosso cérebro funciona por associação. Bom, pelo menos o meu. Depois de ler o post do Maurício, lembrei que um amigo tinha me emprestado um disco com versões de músicas dos Beatles.

Sim, eu sei, existem milhões deles. Até os Bee Gees já regravaram o Sgt Peppers. Mas esse disco é compilado com artistas da Blue Note, a lendária gravadora de jazz. Valia o crédito de conhecer.

Ouvi o disco e não achei nada demais. Tenho a sensação de que já ouvi todas as versões possíveis e imagináveis para as músicas do quarteto de Liverpool. Mas, no finzinho, uma grata surpresa: Bobby McFerrin (sim, aquele mesmo da Don't Worry, Be Happy) cantando 'Drive My Car'.

Procurei o vídeo algum vídeo no YouTube com essa versão mas não achei. Resolvi colocar lá eu mesmo, pra poder compartilhar aqui.



Tudo o que se ouve na faixa vem do Bobby McFerrin fazendo sons com a boca e com o corpo. É muito impressionante. O que poderia facilmente esbarrar no território do mal gosto e ficar marcado apenas por malabarismos, acaba se tornando um arranjo original e extremamente criativo.

Para entender melhor como ele faz tudo isso, vale a pena conferir esse vídeo, com uma outra canção sendo executada ao vivo.



Contei essa história toda e não expliquei o título. Nós, que trabalhamos com trilhas, por diversas vezes nos vemos em situação em que temos que 'cantar' alguma idéia. Explico. Você está em uma reunião discutindo a produção de uma trilha sonora para um filme, por exemplo. Lendo o roteiro, discutindo com o diretor, você acredita que um tango com uma batida eletrônica cai muito bem para aquela cena. Mas, o diretor não consegue imaginar como ficaria tal resultado. Eis que alguém sugere: "faz aí, com a boca mesmo."

É nessas horas em que eu penso em convidar o Bobby para ser meu sócio.

Mais música no telhado

Parece que telhados exercem uma certa atração em músicos :-)

Aqui Jacob Moon toca "Subdivision" do Rush, em cima do telhado (dica do Beto Rich). Bela locação escolhida, ainda mais com o pôr do sol.

O detalhe é que ele toca essa versão sozinho, mas com um bocadinho de apetrechos tecnológicos que fazem com que o violão sirva de acompanhamento para o solo de guitarra.


Ele usa um Lexicon JamMan looper, que funciona como um gravador mas que tem a capacidade de criar um loop, transformar uma frase ou um trecho da música que você toca (e grava) nele em algo circular, que emenda o final da gravação com o seu início, fazendo uma cama musical sem fim.

Veja que é mais simples de entender do que eu ficar descrevendo:





Agora, já descendo do telhado mas continuando no assunto Loopers, ou artistas que fazem uso excelente desse tipo de tecnologia, quero apresentar-lhes Imogen Heap, com a deliciosa e delicada "Just for Now":