10 fevereiro 2009

Mais sobre música e ruído

Refletindo mais sobre a diferença, ou melhor, a divisa entre música e ruído, lembrei-me da Música Concreta, que lá no final da década de 1940 e começo de 1950 alterou para sempre os caminhos sonoros. Ainda hoje vivemos ecos do estrago que ela fez, com sua proposta muito inovadora e quebrando paradigmas há muito tempo consolidados.

O camarada responsável pelo começo da brincadeira foi o francês Pierre Schaeffer, logo seguido pelo Grupo de Pesquisa de Música Concreta (Groupe de Recherche de Musique Concrète – GRMC). Naquela época a manipulação dos ruídos e sons para criar música era feita através de gravadores de fita, invertendo-se a direção que tocavam, editando (cortando e colando, literalmente, as fitas) e outros processos que hoje soam como maluquice.

Com a popularização dos samplers e meios de edição e manipulação digital de som, o acesso a esse tipo de criação musical ficou expandida e surgiram vários artistas que empurraram o limite do ruído pra dentro da música popular, e chegando até hoje nas músicas eletrônicas.

Um desses grupos foi o alemão Kraftwerk. Nesse vídeo podemos entender um pouco do processo de criação deles e do esforço em produzir algo diferente e inovador, sempre na vanguarda.

Aqui o trailer do documentário "Kraftwerk And The Electronic Revolution"



Outro grupo que empurrou o limite além, fazendo uso de ruídos cotidianos manipulados no sampler para produzir melodias é o Art of Noise.




Aqui no Brasil temos o querido Hermeto Pascoal que nos presenteia com solos de porco, panelas e o que mais ele conseguir colocar as mãos. No disco “A música Livre de Hermeto Paschoal” (1973) ele abusou desse recurso tocando, entre outros instrumentos, porcos, gansos, perus, galinhas, patos e coelhos. Mas ele sempre abusa e fica bom. Ele pode... :-)

Aqui ele tocando Barba, Chaleira e outros "instrumentos"


E aqui playing (só em ingles mesmo pra fazer o total sentido do que ele faz) com instrumentos de dentista:


O ruído já havia tentado se infiltrar nas orquestras nos séculos passados. Tchaikovsky fez uso de canhões da obra 1812 Overture e Wagner usou um coro de bigornas na ópera "O Anel do Nibelungo"

Obvio que isso tudo iria influenciar e encontrar largo caminho na música para cinema. Só que o nome que damos a isso é o dialogo/contraponto entre trilha sonora e sound design.

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