31 maio 2010

Os sons que podem ser os últimos a serem ouvidos!

31/maio/2010

Em 31 de maio completam-se 34 anos que a banda The Who realizou o show no estádio The Valley, em Londres, considerado o “show de rock mais barulhento” de todos os tempos, recorde acolhido no Guiness Book e mantido por dez anos. O volume medido a 32 metros dos auto-falantes foi de 126 dB, mais intenso que o som de uma britadeira.

De tanto abusar no volume de sua guitarra, o guitarrista da banda, Pete Townshend, teve sua capacidade auditiva definitivamente prejudicada.

Acontece que o ouvido humano tem resistência limitada a níveis de ruído. Quanto mais alto o som, mais exposto a danos o aparelho auditivo fica. A medição em decibeis (dB) indica o quanto um som é mais intenso que o mínimo que o ser humano pode escutar, que corresponde a 0 dB.

O que ocorreu com Townshend não foi um acidente. Segundo a Revista Brasileira de Otorrinolaringologia, um som com intensidade entre 84 e 90 dB causa lesão irreversível na cóclea (em formato de caracol, é a parte do ouvido interno onde estão os terminais nervosos responsáveis pela audição). Esta lesão será mais ou menos grave quanto maior for o ruído.

Pete Townshend fundou o instituto HEAR (Hearing Education and Awareness of Rockers, Educação Auditiva e Prevenção ds Roqueiros), que visa alertar aos músicos e prevenir a surdez causada pela alta intensidade do som nos shows em geral.

Alguns sintomas podem avisar se a orelha está sofrendo de sobrecarga:
dificuldade de entender o que se é dito, perda de audição, tinitus (um som agudo e persistente vindo de dentro do ouvido que pode surgir em decorrência de uma infecção, por exemplo), otorreia, tonturas, e outros.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) considera 50 dB (decibéis) o volume máximo para que um som não cause nenhum mal ao organismo humano. A partir disso, efeitos negativos já começam a afetar a audição. Para entender melhor, aqui estão alguns exemplos de intensidade sonora:

- torneira gotejando (20 db), mesmo de madrugada. Um som desta intensidade no meio da noite pode deixá-lo muito irritado, mas não o deixará surdo!;
- sussurro (30 dB);
- música baixa (40 db), mesmo aquela que você não gosta!;
- conversa tranqüila (40-50 db);
- conversa normal (60 dB). Essa medição não vale se sua família for italiana, como a minha!;
- restaurante com movimento (70 db);
- secador de cabelo e trem de metrô (90 db);
- caminhão (100 db);
- buzina de automóvel (110 db);
- turbina de avião (130 db);
- tiro de arma de fogo próximo (140 db)

A partir de uma intensidade de 120 dB, o nosso ouvido começa a doer.

Poluição Sonora

Não é só esse tipo de som que nos incomoda. A poluição sonora está presente no nosso dia-a-dia, causando estresse, depressão, ansiedade, problemas cardíacos e até surdez. Ela é definida como sons, barulhos ou ruídos de duração prolongada e com intensidade incômoda aos ouvidos humanos, e pode vir dos barulhos do trânsito, cachorros latindo, restaurantes, máquinas funcionando, telefones tocando, entre outros. Ruídos da natureza não são frequentemente classificados como poluição sonora por causa de sua duração, como um trovão, intenso, mas curto.

Ser atingido pela poluição sonora parece inevitável, mas não é: nós podemos, sim, reduzir que nos cerca. Para começar, desligue-se de tudo e desligue tudo:a TV, o celular, as lâmpadas florescentes, o computador, e tudo o mais que puder. Feito isso, tente identificar cada mínimo ruído que ouve. Grandes cidades produzem sons que podem parecer banais, mas geram grande desconforto, e reconhecê-los e as suas fontes pode reduzir o estresse advindo deles.

Marina Domene


Não há imagens, mas aqui está a gravação da música de encerramento do show ensurdecedor: